1 tostão – porque não sei escrever 1 conto – de amor (etimológico – ou, nome é destino)

consta que, nos anos 1930, sentou praça em Santa Ritinha do Corgo Mei’ Doce, na beirinha do Noroeste das Minas Gerais, um vendedor de enxovais chamado Custódio.

rapidinho, foi apelidado pelo povo, que assunta muito, de Bico Doce, e não sem razão: Custódio era tão bom em seu ofício, que, ao final das vendas dos enxovais, as noivas mudavam seus planos, casando-se com ele…

e assim foi 8 vezes, só não indo além porque Custódio perdeu mercado: precavidos, os noivos da cidade passaram a levar suas noivas (com as senhoras suas mães junto, claro) para as compras de enxovais lá nas Belo Horizonte.

dos oito casamentos, 23 filhos, e após gládios tremendíssimos nas cortes – nos quais sempre dispensou advogados, fazendo ele próprio sua defesa, comovendo jurados e juízes -, as sentenças se repetiram: as crianças (todas bem vestidinhas e alimentadas, com boletins espetaculares) ficariam com Custódio.

era, sem dúvida, um porcaria de homem.
mas um pai amantíssimo.

e sabe o quê?
orgulhava-se tanto disso, que encasquetou de mudar de nome.
foi ao cartório, disse o que queria e ditou o novo nome a constar nos documentos.

– tem certeza? – indagou Fontoura, o tabelião.
– batata. muda aí, por fineza.

no começo, povo achou meio esquisito, mas acabou se acostumando a se referir a ele como “o Custódia”.
e nunca mais se falou Bico Doce.