Em grande parte, minha paixão pela fotografia deve-se ao fato de poder usá-la como instrumento na luta contra preconceitos e injustiças sociais, pois a força de boas e representativas imagens toca forte o coração das pessoas – e de forma muito mais rápida que palavras escritas ou faladas.

Foi essa passionalidade que me motivou em março deste ano a organizar um ensaio fotográfico com diversas lactantes pelas ruas de Beagá, atacando imageticamente a discriminação que envolve a amamentação em público, já que não é mais possível aceitar censuras contra ações que envolvem tamanha demonstração de afeto (publiquei o ensaio aqui na revista.).

Há gesto mais belo, mais repleto de amor e com mais sentido de continuidade do que alimentar a cria com seu próprio corpo?

O ensaio teve significativa repercussão midiática (aqui deixo links de matérias dos portais UOL e UAI); e por conta da recente aprovação de lei que criminaliza a proibição da amamentação em público fui procurado para algumas entrevistas e assim revisitei sites e matérias sobre o projeto.

Mas desta vez atentei para algo que não tinha observado quando do lançamento das fotos: os comentários públicos. E não foi sem um misto de desânimo e indignação que me deparei com ignorância e preconceito em massa.

Uma horda tomada pela lógica do patriarcado associou as fotos a “exibicionismo”, “pouca vergonha” e “apelo sexual”.

A cada disparate que li percebi o quanto fotografias como aquelas são ainda necessárias e o quanto as mulheres sofrem cotidianamente; a alguns respondi, outros apenas lamentei, porque há muito a ser feito para mudar a mentalidade conservadora e repressora da maioria.

Foi assim que hoje resolvi dedicar minha coluna semanal à Língua de Trapo não para ensaios fotográficos, crônicas ou textos políticos, mas para expor muitos dos que escancararam seu machismo a legendar de modo sujo fotos singelas e libertadoras – e sim, sem tarjas nos nomes ou apelidos, pois cada um que responda pelo seu modo de pensar.

1

2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

A luta é contínua, a luta continua.