Faltam duas semanas para a folia começar, embora desde janeiro já estejam rolando os ensaios abertos de muita escola de samba e blocos de rua.

O carnaval é uma festa que já passou por muitas transformações. A princípio, a celebração era feita como forma de agradecimento aos deuses pela fertilidade dos solos e boas colheitas do ano, na Grécia, por volta dos anos 600-520 a.C.

O carnaval romano, provavelmente, é a referência dos dias atuais. Na época, a folia durava sete dias de comes, bebes, numa busca incessante pelos prazeres. Todas as atividades e negócios eram fechados, os escravos ganhavam liberdade para curtir e as restrições morais eram atenuadas.

Em 500 d.C, a Igreja Católica “adota” a festa e passa a considerá-la como parte da quaresma e as festividades ficam marcadas para acontecer até a quarta-feira de cinzas.

É no Renascimento, momento de surgimento da moda, que os bailes de máscaras e fantasias se tornam populares. Isso não é apenas coincidência, porque um dos pilares do nascimento da moda passa pela noção de individualidade.

Assim, as roupas poderiam representar cada um e, na festa, poderiam adotar identidades diferentes ou até mesmo o anonimato de quem assim quisesse.

No Brasil, o carnaval chega no século 17, através dos portugueses, com o Entrudo. Atualmente, é reconhecido como a maior manifestação popular do mundo.

Nos últimos cinco anos, os blocos de rua se tornaram o grande atrativo da festa. No Rio, no ano passado, foram mais de 600 desfiles e cinco milhões de foliões e, em 2014, foi reconhecido como o maior carnaval do mundo pelo Guiness Book.

Na cidade, a preparação começa cedo e parte importante são as fantasias. Para cada dia de folia, uma transformação diferente. É o momento do desfile em que todos são modelos e podem assumir e se permitir vestir o que no resto do ano é socialmente negado.

E por muito anos, foi na festa o único lugar aceitável para homens usarem roupas “femininas”, como saias, vestidos, etc. Talvez seja o único momento em que o vestir não signifique pertencer a um grupo e não adotar uma “identidade” sua é que seja “condenada”.

A importância desse ritual pode ser percebida no momento em que uma reportagem, feita pela Pedra Ambiental, alertando sobre a poluição que o glitter e a purpurina causam nos oceanos, gera comoção.

Em pouco tempo, encontrou-se uma solução para que o brilho, traje quase obrigatório da celebração, pudesse ser usado sem prejudicar o meio ambiente: o glitter comestível (usado por confeiteiros).

Além disso, é possível perceber o aumento do número de oficinas de fantasias com o aproveitamento de roupas e sobras de materiais. É o consumo consciente de moda participando ativamente delas.

Para os residentes de SP que ainda estão à procura de uma fantasia, o Desguarda Roupa realizará uma oficina na próxima quinta, dia 16. Mais informações, você pode saber aqui:

https://www.facebook.com/events/1237099706372299/