Quero tudo.

É direito meu.

Sem essa de você não respeita a minha individualidade!

Quero seus lábios e seus bagos

e também

a  dor estuporada de seus sonhos

O impreciso furioso de seus olhos

As lâminas frias

ardidas

de suas Palavras

a empalar-me a carne

Sem essa de eufemismos

tranquilismos

Pode vir

Sem piedade

Anda!

Rasgue-me de uma vez por todas!

(toda vez)

Cruelmente!

Desosse-me se assim for…

Preciso

(e se não for também)

Eu preciso…

Sem demora

Estrangule-me logo essas certezas!

Entenda

Eu quero

a sua paz

e o seu desespero

Quero que aprenda

a não ser o bastante.

Que sinta culpa

mesmo

Pelos poemas de que ainda me deve a escrita

e pelos livros de que ainda me deve a leitura

Que na hora exata,

irritantemente,

apenas insinue

aquelas palavras incertas

E no momento impreciso

jogue-me na cara

impertinentes intimidades.

Espero que

pelo menos

consiga ser rude o suficiente

E como regalo de amor

rezarei

todos os dias

para que sejas fênix

com toda dor de ser fênix

Morrer

em ardor e desalento

Pois só há beleza

aos  que, entrelaçado às fibras,

carne e mente

carnadura,

carreguem a cicatriz

de a cada pôr do sol

todos os dias virar pó

e mesmo sabendo dos flagelos que o próximo anoitecer lhes promete

não nos prive,

querido,

do  desnascer de cada dia.