Está na moda falar de autoestima, mas o que é isso?

Dizem que autoestima é um amor por si mesmo, que é preciso primeiro aprender a se amar, para depois amar o outro.

Ok, mas o que é o amor?

Penso que o amor é um convite à novidade. Não há novidade naquilo que se conhece, então, não há amor sem outro. É na diferença que o amor encontra oxigênio.

Nesse sentido, o amor por si mesmo é uma grande enganação.

Deve ser por isso que a gente precisa amar a si mesmo “por procuração”, amar a si mesmo através do amor do outro. Bem narcísico, é claro.

Mas é só tendo sido amado, primeiramente, que o ser humano pode vir a amar a si mesmo, depois. E mais tarde, ainda, amar o outro.

Dá um trabalhão psíquico esse negócio de amor!

Então, penso que talvez a gente só possa amar a nós mesmos, se nos tomarmos como outros.

Como disse Lacan, “o eu é um outro”.

Vivemos num mundo cheio de gente que diz sofrer de “baixa estima”. A estima é tão baixa, que as pessoas não dizem que têm “baixa autoestima”, confundem auto com alto e dizem “baixa estima”, mesmo.

Geralmente, essa gente acha que sabe tudo de si. Está cansada de si mesma, de saco cheio da vida.

É quando a gente descobre potências ocultas em nós mesmos, que vamos nos tornando objeto de nosso amor.

Por isso, o amor é sempre da diferença – seja em si, seja no outro. O resto é puro narcisismo.

Nesse sentido, a autoestima não existe. Só amamos o que é outro. É preciso que o outro nos habite.