Há poucos dias, uma pessoa – petista histórico e com muitos seguidores nas redes sociais – publicou um texto afirmando que Temer era secretário de Segurança de São Paulo, quando ocorreu o massacre do Carandiru.

Correlacionou às rebeliões nos presídios hoje, e questionou se seria apenas coincidência a existência destas ocorrências em diferentes gestões de Temer.

Bem, Temer assumiu o cargo de secretário de Segurança de São Paulo cinco dias após o massacre do Carandiru. A tal pessoa criou um factoide na linha MBL, o que demonstra profunda desonestidade intelectual.

É preciso criar factoides para criticar Temer? Seus atos já não são bastantes?

Dia desses vi um meme, largamente difundido, questionando a cena de Dória cumprimentando um morador em situação de rua. O tal meme analisava a veracidade da cena – com a profundidade de um pires – e nos levava a crer que o morador em situação de rua era fake.

Não, ele não era fake. E já não basta a miséria e a humilhação de viver na rua, ainda tem de ter sua identidade questionada por alguém abrigado no conforto de sua casa e bem alimentado (porque certamente é essa a condição de quem produziu o meme). É preciso que sejamos menos impulsivos, levianos e mais cuidadosos antes de compartilharmos uma atrocidade dessas.

Provavelmente, o objetivo do boçal que fez o meme era o de desqualificar Dória, e mais uma vez o fez no melhor estilo MBL.

Ora, há de se criar factoide para criticar o Dória? Por que não se apegar a seus atos de populismo barato ou desconexão com as realidades urbanas? Por que mentir? Por que falsar?

O caso da morte do Teori não tem sido muito diferente.

Bem, a interpretação binária da política e dos contextos sociais está tornando as pessoas parecidas demais, independente de que “lado” se posicionam ideologicamente. Parte dos que se intitulam “esquerda” porta-se como o que há de pior na “direita”. O que os tem diferenciado são os partidos que cada um defende.

É preciso evoluirmos para discussões que fujam à binariedade, ao maniqueísmo. É preciso evoluirmos para discussões que ultrapassem os parcos espaços partidários – eles estão todos parecidos demais. É preciso evoluirmos para discussões que questionem o sistema político – não trato aqui de ideologias socioeconômicas -, que é onde residem os problemas mais profundos com os quais convivemos.

Enfim, é preciso evoluirmos!