A corrente distopia capixaba vai para muito além do caos na segurança pública; desta vez o descaso do estado burguês para com seus servidores descortina a relativização de valores da classe média brasileira.

Assistir a pessoas sem apelo famélico saqueando caros e sofisticados produtos eletrônicos nas ruas de Vitória evidencia que a moral e a ética da sociedade de consumo estão subordinadas ao desejo de posse.

E nesse sentido, mesmo quando a PM do Espírito Santo retomar suas atividades, já terá caído o véu que camufla a faceta mais sombria do brasileiro médio: a absoluta ausência de empatia.

Em última análise, o modo de produção capitalista não forma cidadãos, mas indivíduos sem nenhum senso de coletividade que priorizam seu conforto pessoal em detrimento do bem comum e que, desta forma, legitimam a exploração da qual são as verdadeiras vítimas.

Que merda de mundo é esse em que freios morais só existem por conta do medo da repressão policial? Em que consciência de classe desaparece na primeira oportunidade de furto de uma TV de quarenta polegadas?

Que Tutatis nos salve.

De nós mesmos.