O que é uma falácia?

É um argumento que não segue os princípios fundamentais da lógica; um argumento com aparência de verdadeiro, mas inválido.

Um exemplo muito comum, inclusive nas redes sociais, é o “Ataque ao homem”: em vez de se refutar a verdade do que é afirmado, ataca-se a pessoa que fez a afirmação.
(O caráter de uma pessoa é logicamente irrelevante para determinar a verdade ou falsidade do que ele diz).

Nos discursos políticos, as falácias são muito comuns. A Proposta de Emenda Constitucional 241 é um exemplo claro de falácia.

Ela estabelece um novo teto para o gasto púbico, que terá como limite a despesa do ano anterior corrigida pela inflação.

Com frases de impacto, por exemplo, “Temos que tirar o Brasil do vermelho”; “O Brasil precisa voltar a crescer”; “É preciso prezar pela saúde financeira do Brasil” e a ajuda dos grandes veículos de comunicação, o governo federal tenta nos persuadir de que “o remédio é amargo, mas necessário”.

Parece bom, não? Afinal, nada mais justo que o governo economizar o dinheiro público e gastá-lo com eficiência.

Ora, amigas e amigos, eles acham que estão lidando com palhaços? Ninguém é contra o corte de gastos públicos, evidentemente. Contudo, é preciso analisar onde serão feitos tais cortes. A PEC congela por 20 anos investimentos em saúde, educação e infraestrutura, por exemplo. E acaba com a política de valorização do salário mínimo. Em termos simples, é um grande retrocesso, porque interrompe a trajetória de acesso da população mais pobre aos serviços públicos de educação e saúde.

Por que não taxar as grandes fortunas? Por que não diminuir os cargos políticos “de confiança”? Por que não recuar quanto ao aumento do Judiciário?

É como se uma família que passa por dificuldades financeiras cortasse o arroz, feijão e a carne em vez de cortar o danone e o biscoito recheado.

Eis que novamente emerge uma frase de efeito falaciosa: “Se você é contra a PEC do teto de gastos públicos, você é contra o Brasil”

Não, amigas e amigos. Se você é contra a PEC 241, você pratica a empatia, você é sensato e lúcido, você tem o mínimo de humanidade.