Tenho a certeza de que, em tempos como os atuais, é muito difícil falar de nosso vergonhoso quadro político, sem ser ríspido e incisivo no que tange a demonstrar o quanto somos desinformados e inocentes a níveis infantis.

A burrice de direitistas, esquerdistas e centristas neste país é tanta, que as redes sociais são apenas uma pequena fração de amostra do caos que está.

É impressionante como o brasileiro médio é, a níveis extremos, despolitizado e desinformado. O maior detalhe é que essa ignorância é voluntária e assim o é na grande maioria dos casos, devido a um forte apego ideológico. A idealismos. A romances. Se há o apego demasiado a determinado viés político, isso é praticamente um atestado inconteste de ignorância em termos gerais. Os tempos atuais são propícios para esse entendimento.

E é óbvio que toda essa desinformação possui causas complexas. Não basta apenas apontar que ela é fruto de uma imprensa marrom oligárquica e interesseira, que está a todo tempo doutrinando descaradamente as pessoas para que tenham uma visão de mundo economicista e neoliberal. Uma breve visita a qualquer telejornal dos grandes canais é mais do que uma amostra suficiente.

Não basta apenas apontar que ela é fruto de fatores culturais típicos do brasileiro. Como ostentar o orgulho do “ódio à política”, o eterno complexo de inferioridade perante os EUA e Europa (ostentado em especial por nossas classes médias), o sexismo, o extremismo religioso, o fetiche com a violência, o “jeitinho brasileiro”.

Não basta apenas apontar que ela é fruto de uma educação que desde a Ditadura Militar pouco progrediu na formação de cidadãos com o mínimo de senso crítico e preparados para saber de seus direitos e deveres.

Ao se falar de política atualmente, é preciso mostrar senso crítico e pouco – ou nenhum – respeito a sensos comuns de nossa mentalidade política. É preciso apontar os erros, mostrar algum conhecimento e entendimento fiável e fora das “grandes fontes midiáticas”, apontar as paixões e dissecá-las no intuito de mostrar que em matérias políticas, o brasileiro em sua grande maioria é o indivíduo que não saiu da caverna de Platão e que nem se dá ao trabalho de observar as sombras na fogueira.

Não é à toa que temos a ascensão do “bolsonarismo” e do “politicamente correto” (aos mais informados, “pós-modernismo”) entre as massas e até em certas partes da academia. Para que tanto ódio, irracionalidade, burrice e desinformação floresçam, é preciso que um povo tenha sido oprimido o suficiente para entrar em estado de completa inércia cultural.

E é nesse estado que o país se encontra. Qualquer um pode ver.