Ladies and gentlemen, fina flor da sociedade bandeirante, hoje, do alto de minha singela modéstia, dito ao meu mordomo e escriba-mor Archibald este magnífico, estupendo, esplendoroso artigo que trata de algo que nos é muito caro: a meritiocracia.

Que esta olímpica e magnânima conversa textual fique circunscrita aos nossos salões nobres,  jóqueis clubes, camarotes e salas Vips, pois os desprezíveis serviçais plebeus e os insignificantes lumpens não a compreenderiam.

Afinal, nobres colegas, é o mérito de ser bem-nascido que justifica a minha, a nossa fidalguia e magnanimidade perante todos os serviçais. Nascemos com o dom e o merecimento de sermos bem servidos, enquanto outros nasceram para bem servir.

Os comunistas gayzistas feminazis bolivarianos ficam enfurecidos com nossos merecidos privilégios. Acusam-nos de exploradores do trabalho alheio -a malfadada mais-valia inventada pelo demônio barbudo –  ou ainda de que nossas heranças, oriundas de terras griladas, desterro de índios, pretos e pobres,  destruição da natureza e outros atos ilícitos,  são indecorosas. Ora, não passam de invejosos desmerecidos, que só fazem jus ao mais profundo menosprezo.

Ladies and gentlemen, blue blood da sociedade bandeirante, é nas classes médias que devemos apostar nossas moedas de ouro, pois são elas formadas por maravilhosos seres ignóbeis, vis e servis, que vivem entre a ânsia ilusória de enriquecer e ascender e a angústia aterrorizante de empobrecer. Desafortunados remediados! Doidos para emergirem, tornam-se facilmente manipuláveis, alienadinhos até a alma. Mas, não se enxergam assim, pois creem que a educação privada que pagam os faz diferentes dos indigentes.

Aliás, o grande horror das classes médias é o de se parecer aos miseráveis lumpemproletários, tanto que defendem  com unhas e dentes nossos privilégios, isto é, da esplêndida aristocracia tupiniquim. Nobres colegas, os remediados nos são imprescindíveis! São ordinários robozinhos teleguiados por nossas mídias e escolas alienantes. São torpes papagaios que reproduzem as ideias que nos mantêm no poder.

Ladies and gentlemen, regozijo-me ao ver um remediado ou  lumpemproletário defender nossa tão cara meritocracia, sinto espasmos d’alma. Entro em êxtase. Rio, aliás, gargalho por dentro. Vem-me o ímpeto sarcástico de perguntar se é pobre ou remediado por desmérito, mas contenho-me. Afinal, o desvalido alheado está defendendo os nossos interesses.

Apesar de desprezíveis, é da servidão dos alienados que brota nosso apanágio, ó fina flor da sociedade. Assim, alimentemos a vã ilusão e as sandices de ascensão dos desvairados serviçais, que continuarão a defender nossa notável e estimada meritocracia.

Pois, se a alienação é deles, o mérito é nosso!

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