Em maio deste ano, durante a Casa dos Criadores (evento para novos estilistas), existiu uma programação de palestras. Um dos palestrantes era o professor João Braga, que nos trouxe o significado da palavra moda. Em latim, ela derivou da palavra modus (significa modo) e, em francês, a palavra tem origem na palavra maneira.

Isso explica o surgimento da moda. Com o fim da Idade Média, os burgueses, numa tentativa de se aproximar da nobreza, copiam suas roupas. Estes, por sua vez, as mudam para manter e marcar a diferença (de classes) entre eles. E, assim, a roupa passa a marcar o gosto de uma determinada época.

Luís XIV era um rei vaidoso, sempre exibia suas perucas cacheadas e muitas joias. Ele se vestia de forma colorida e bem-adornada. Nesta época, o vestuário masculino era bem diferente do que é hoje. Os homens eram vaidosos e suas peças possuíam mais variações do que atualmente.

O Rei Sol ainda exigia que bonecas fossem vestidas com a reprodução de suas roupas e distribuídas pela Europa para que os outros reis pudessem copiá-las. Esta é, então, uma relação de poder existente até hoje (embora tenhamos algumas mudanças acontecendo).

Com a Revolução Industrial, outra relação se estabelece. É marcada fortemente a distinção entre o vestuário masculino e feminino. Os homens com (vestem) roupas para o trabalho, e as mulheres passam a vestir-se de modo a representar o status da família. Ela era o reflexo do trabalho e posição da família na sociedade.

Em meados do século XIX, o sistema atual da moda começa a se desenhar. Charles Frederick Worth se intitula artista e passa a assinar suas roupas (ele as reconhece como sua obra de arte). Modifica a relação da cópia porque insere a ideia de criador/estilista, até então inexistente. Ele introduz a ideia de desfiles e coleção. Paul Poiret, seu pupilo, cria os catálogos. Formando, então, a estrutura que funciona até os dias atuais.

Nos anos 20, Chanel utiliza as roupas para questionar os padrões até então. Ela introduz a calça no vestuário da mulher, como traz simplicidade e conforto para o vestir feminino. Além disso, aproxima o mundo das artes e da moda, seguida por Elsa Schiaparelli e outros tantos estilistas.

A partir da década de 50 até a de 80, a moda é utilizada como forma de “voz” a uma “nova classe” que surgia e queria ser reconhecida, a dos jovens. Como exemplos, podemos citar a minissaia de Mary Quant ou o visual rebelde (para a época) de Marlon Brando, de calça jeans e jaqueta de couro.

A moda se insere em todos esses meios citados. Ela pode ser arte, negócio, cultura. Mas, principalmente, ela carrega os signos de uma sociedade e, por isso, reflexo da mesma. E é por isso que, muitas vezes, é tão difícil entendê-la.

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