“Moda é arte”. “Moda é consumo”. “Moda é cultura”. “Moda é negócio”. “Moda é comunicação”. “Moda é linguagem”. “Moda é expressão”.

É muito comum essa “discussão” em meios da moda para tentar definir o que ela é. E por que a moda tem de ser uma coisa só?

Charles Frederick Worth se considerava artista pelas roupas que criava. Elsa Schiaparelli misturou moda e arte, principalmente com as criações em parceria com Salvador Dalí, como o chapéu-sapato, a bolsa em forma de telefone, o tailleur com bolsos em forma de gavetas e o vestido decorado com uma grande lagosta.

A exposição do Alexander McQueen, chamada de Beleza Selvagem (Alexander McQueen: Savage Beauty), que aconteceu no ano passado, foi a mais visitada da história do Victoria and Albert Museum (em Londres).

Chanel usou a moda para redefinir e questionar o lugar da mulher. As feministas queimaram uma peça de roupa (sutiã) para mostrar como símbolo da liberdade e direitos que buscavam. Os jovens, nos anos 60, escolheram o jeans como forma de transgressão.

A minissaia, introduzida pela inglesa Mary Quant e o francês André Courrèges, significava liberdade e também uma forma de chamar atenção. Pela primeira vez a moda de rua era quem influenciava o modo de vestir, quebrando a “tradição” vertical da moda.

Zuzu Angel a usou para discursar sobre a ditadura no Brasil. Enquanto Ronaldo Fraga a usa como ato político, como no desfile sobre refugiados e no mais recente, com transgêneros como modelos. E os irmãos Emicida e Evandro Fióti a usaram como forma de dar voz e visibilidade a pessoas que são consideradas fora do padrão e, por isso, à margem.

Atualmente, a moda gera em torno de R$200 bilhões por ano através do consumo de 6,6 milhões de peças, é o quinto maior mercado do mundo. Emprega um sexto da população mundial. E, indiretamente ou diretamente, se relaciona com a agricultura, indústria química, do petróleo e tecnológica.

A moda perpassa por todos esses lugares. Ela é plural. Nasce com a matéria-prima, passa por todo o processo para virar um tecido nas mãos do estilista, que cria uma mensagem com ela que é transformada pelo consumidor que a compra.

Ela nos impacta diretamente psicológica, cultural, social, ambiental e economicamente. Portanto, para começar a falar sobre ela, é preciso entender que todos esses aspectos estarão presentes e envolvidos em alguma medida.

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