Quando se fala em moda e política, uma das primeiras lembranças do Brasil que temos é o desfile-protesto de Zuzu Angel, na embaixada brasileira nos Estados Unidos, em 1971.

Movida pela falta de informações sobre o que acontecera a seu filho, Stuart, e a falta do seu corpo para que pudesse sepultá-lo, encontrou, nas roupas, a possibilidade de denunciar as arbitrariedades da Ditadura Militar.

Na coleção, estampas de tanques de guerra, canhões, pássaros engaiolados, meninos aprisionados, anjos amordaçados e sol atrás de grades.

Outros grandes estilistas também já usaram a moda como ato político. Vivienne Westwood é uma delas. No último SPFW, Ronaldo Fraga usou a passarela para se posicionar na questão dos refugiados.

Da mesma forma que estilistas usam a moda para mostrar seu ponto de vista, os políticos também usam da moda para construir a imagem de acordo com seus discursos.

Evo Morales, em 2006, escolheu um suéter com desenhos indígenas para os encontros com o Rei Juan Carlos e o então presidente José Luís Rodríguez Zapatero. O que gerou críticas e foi considerado um gesto de afronta por parte da mídia espanhola.

No entanto, isso significou uma referência às origens e, também, uma forma de recado de que a Bolívia não é mais submissa, portanto, ele tem a liberdade de se vestir da forma que quiser.

A primeira-dama americana, Michelle Obama, opta por peças assinadas por estilistas dos Estados Unidos. Fato muito apreciado pelos americanos porque representa um apoio ao setor nacional.

No Brasil, este ano, muito tem se falado da “nova” primeira-dama Marcela Temer. Após uma publicação suíça a comparar com Maria Antonieta por conta disso, ela tem escolhido looks mais simples e minimalistas.

Nas duas principais aparições até agora (a de sete de setembro e a do dia cinco de outubro, quando lançou o programa “Criança Feliz”, do qual é embaixadora) optou por vestidos mídis (estes logo abaixo do joelho), de cores consideradas serenas (branco e azul, respectivamente) e com modelagem acinturada e saia em A, o que lembra os vestidos da década de 50.

Esta década foi marcada por uma cultura de mulheres “belas, recatadas e do lar”, como a matéria da Veja apresentou-nos Marcela Temer. E como, aparentemente, o governo entende como o papel da mulher. Talvez.