– E ai brô, sussa? 

– Não muito.

– Que tá rolando?

– Pois é, veja bem. Sabe o Nietzsche?

– Sim, o do bigode de anu preto. Que que tem?

– Morreu.

– Putz, quando?

– Faz tempo. E o Gandhi? Conhece?

– Claro, o da tanguinha? Gente fina. Que tem ele?

– Morreu também.

– Caralho. De quê?

– Sei lá. Acho que mataram. Tem mais. O Chaves.

– Ah, para. Vai dizer que ele morreu também? Jura?

– Com os dois pés juntos.

– Que bosta, hein?

– Todos estão morrendo.

– Que viagem, brother. Nem todo mundo morre. A Hebe nunca…

– Já morreu.

– Sério? Sinistro. Mas me fala. O que essa sua constatação quer dizer?

– Cara, não sei ao certo. Mas pelo que parece todos vamos morrer, inclusive eu e você.

– É mesmo? Até a rainha Elizabeth?

– Essa talvez demore mais, mas vai morrer também.

– Bom, eu não entendo muito de morte, por isso não vou opinar. Talvez nem deva ser tão ruim.

– Verdade.

– Mas tirando essa parada de morte, quais as novas?

– Fui promovido. Serei chefe-executivo da minha seção. Tô bem feliz.

– Ué, mas você não disse que detesta esse trabalho?

– Odeio. Mas também detesto a minha mulher. Só tô com ela por causa das crianças. Que por sinal estão cada dia mais insuportáveis. Um pé no saco. Com o novo emprego ficarei mais tempo trabalho e menos tempo em casa.

– E vai ganhar mais, não é verdade?

– Exato. Preciso trocar meu carro. Já tô com esse velho faz 12 meses. O foda é que o trânsito está cada dia pior. Em todo caso terei mais dinheiro para viajar também. É certo que odeio viajar. Mas assim posso tirar umas fotos maneiras e colocar no facebook. A galera vai rachar o bico de inveja.

– Boto fé. Tô na mesma.

– Vixe!!!

– Que foi?

– Sabe o Umberto Eco?

– Sei. O da parada da rosa. Que que tem?

– Morreu. Acabei de ver aqui no celular.

– Bênzadeus.