Os graves impactos socioambientais da indústria da moda trazem alguns movimentos propondo novas formas de criação de moda. Uma prática cada vez mais comum é a personalização das roupas, vista tanto em lojas de luxo quanto na oferta de serviços de transformação.

A Burberry possui o serviço “Runway made to order”, no qual os clientes podem pedir para colocar as suas iniciais após duas semanas da peça desfilada na passarela. Na Prada, a ação “Made to order” aconteceu neste ano na loja do JK Iguatemi. Cada cliente pode optar por um entre 19 modelos, sete opções de salto, as mais variadas cores e estampas, além da escolha da sola e de estar colocando as suas iniciais no calçado.

No Brasil, marcas como Reserva, Schutz, Arezzo, Carmen Steffens, entre outros, também oferecem serviços de colocar as iniciais na peça ou escolha de estampa. No entanto, todas ainda funcionam de forma excludente e o serviço funciona muito mais para reafirmar a lógica do ter e status exclusivista (“minhas iniciais estão aqui, eu sou importante”). Então, o que de fato está mudando?

O consumidor continua com poucas escolhas e afastado da marca. A forma de criação se mantém porque a marca é quem define quais são as possibilidades de escolha que o consumidor terá.

O movimento do slow fashion traz uma outra forma da personalização com o intuito de aproximar e/ou dar mais propriedade ao consumidor. Um exemplo é a marca feminina Eshakti, em que mulheres escolhem o vestido, comprimento, mangas, decote, colocam suas medidas e, em pouco tempo, recebem a roupa em casa. A consumidora participa ativamente da construção do modelo.

Além disso, a transformação (ou customização), como o serviço ofertado pelo Desguarda Roupa ou Re-roupa, ainda ganha mais essa ideia de cocriação pela proximidade entre designers e clientes que pensam juntos como será a “nova” peça. Há ainda aplicativos que estão surgindo incentivando essa colaboração entre designer-consumidor.

É exatamente essa aproximação que dá ao consumidor mais informação, poder de escolha e de mudar a relação que possui com as roupas e a moda. É uma forma de personalização em que a participação do consumidor na criação é, de fato, o principal propósito. O feito por ele, feito em conjunto e o que nos faz, realmente, re-pensar a moda. E aí, qual a sua escolha? Já pensou em qual roupa quer criar?

https://www.facebook.com/desguardaroupa1/?fref=ts