No último domingo, o tema da redação do Enem foi a intolerância religiosa. Este assunto ganha espaço quando vemos medidas de cada vez menos abertura ou aceitação das diferenças. Mas o que isso tem a ver com a moda?

Bom, como já dito algumas vezes aqui, a moda é uma forma de comunicação e expressão e, portanto, serve como discurso (também). Embora, a moda sempre “se coloque como parte de um espaço laico, há algum tempo, vemos surgir na moda blogueiras, lojas e sites falando sobre moda dentro da religião (seja ela qual for).

É a falta de representatividade sentida que fez muitas pessoas criarem essas mídias, o que ficou conhecido como moda religiosa. Isso significa o uso da linguagem da moda aliada aos princípios da religião.

A importância dessa proposta pode ser entendida através do resultado de algumas marcas: no início do ano, a Dolce&Gabbana lançou uma linha de véus e burcas e, no Brasil, a loja virtual Jeans Moda obteve um faturamento de 150% nos primeiros seis de existência (ainda em 2010).

A Cover Girl (cosméticos americanos) acabou de anunciar a blogueira (muçulmana) Nura Afia como a mais nova embaixadora. Isso mostra a marca como tolerante com as diferenças, inclusive, religiosa num país onde o catolicismo atinge a maioria da população).

Talvez seria bom nos atentar para esses movimentos de alguns grupos e o que eles reivindicam porque (através da moda) estão buscando seus espaços e possamos aprender a conviver com todas essas possibilidades de vivência e existência. Quem sabe, assim, futuramente não teremos mais nem candidatos e nem eleitos  intolerantes como temos hoje?