A moda surgiu no fim da Idade Média. Na época, a burguesia copiava a nobreza para conseguir status social. No século XVII, durante o reinado de Luís XIV, este ordenava que fossem confeccionadas miniaturas de suas roupas para vestir bonecas a serem levadas aos países vizinhos a fim de que eles copiassem seu modo de vestir.

Esse cenário predominou até meados do século XIX, quando Charles Frederick Worth se recusa a ser costureiro e reproduzir as roupas das revistas para as clientes. Worth se entende como artista, assim, passa a criar coleções e assiná-las porque as considera sua obra de arte. Dessa forma, surge a figura do estilista e os desfiles, modo encontrado para apresentar suas coleções.

O século seguinte foi dos estilistas: Gabrielle Chanel, Christian Dior, Guccio Gucci, Miuccia Prada, Jean Paul Gualtier, Yves Saint Laurent, Vivienne Westwood, Zuzu Angel, Ronaldo Fraga, Alexandre Herchcovitch, entre tantos outros. Todos trazendo estilos e a sua forma de ver o mundo e se relacionar através das roupas.

A roupa deixou de ser um retrato do lugar ocupado na sociedade para representar quem sou como indivíduo, para me expressar como tal. Passamos a ter muitas possibilidades de escolha para criar e vestir.

Já nessas primeiras duas décadas do 21, vimos os bureaus de tendências (com seus cool hunters – caçadores daquelas) e o fastfashion predominarem. Com isso, o ‘estar na moda’ se tornou o mais importante, o que nos trouxe um padrão de vestir.

Um passeio pelas lojas e vitrines nos mostra como é difícil achar alguma peça se ela não estiver dentro do “estilo-tendência” da vez. Ganhamos a liberdade de escolha, mas escolhemos sermos seguidores (muitas vezes por estarmos no piloto automático na correria do dia a dia).

Mas, escolher o que vestir é uma forma de reconhecimento da nossa existência como pessoas, indivíduos com gostos únicos e diversos. Escolher o que vestir é poder ser o que se quiser ou usando o clichê: “ser você mesmo”.  Escolher o que vestir é ter mais autoestima e ser mais dono de si.

Que tal se começarmos a pensar no que compramos e nas roupas que usamos, no que elas expressam e se nos representam? Porque usar essa liberdade é, de certo modo, reconhecer o valor de cada um e o que temos no mundo.