Stefan Zweig escreveu na década de 30 o livro “Brasil: um país do futuro”, no qual mostrou as imensas possibilidades que o nosso país possuía, e de certa forma ainda possui. Desde então se criou esta imagem de que o Brasil seria o país do futuro. O problema é que este futuro nunca chega. Vivemos na eterna promessa daquilo que um dia seremos. Se é que seremos.

Se somos de fato um país do futuro, o fato é que o ano de 2016 nos trouxe como presente um grande passado. Olhar os planos de desgoverno do temerário Temer é ter a sensação de que voltamos à República Velha, ou, pior ainda, aos tempos da escravidão. Dentro desta perspectiva, parece que rapidamente nos transformamos de um país do futuro em um país sem futuro. E há tão pouco tempo, apesar dos pesares, o cenário era tão diferente: nossa economia crescia, a distribuição de renda melhorava e os dividendos prometidos pelo Pré-Sal poderiam vir a ser a garantia de um futuro melhor.

O Brasil foi durante tanto tempo chamado de país do futuro muito por conta das riquezas naturais e humanas que possui. A transformação em uma grande nação, em umas das mais ricas e poderosas do planeta, sempre pareceu uma questão de tempo. Algo até natural. Relendo o livro de Zweig e traçando um paralelo entre as “profecias” do livro e a desgraça que foi 2016, acabei chegando a uma conclusão futebolística sobre nós mesmos.

Poderíamos dizer que o Brasil é como o Ronaldinho Gaúcho. Prometia ser o maior desde a infância, seu futebol espetacular fluía naturalmente, chegou aos pontos mais altos que um jogador pode sonhar, conquistou tudo, jogou muito e, quando parecia que finalmente cumpriria o destino de se tornar o maior da História, maior até mesmo que Pelé ou Maradona, simplesmente parou. Virou muito mais um malabarista do que um grande jogador de futebol, uma triste caricatura daquilo que todos imaginávamos que um dia ele seria. Uma grande promessa que poderia ter sido muito maior do que foi, mas que, por algum motivo, simplesmente não quis e se conformou em ser apenas mais um.

Com o Brasil o cenário é parecido. Temos riquezas naturais vastíssimas, um território de dimensões continentais, uma população maravilhosa e uma multiplicidade cultural invejável. Porém, mesmo com todo este potencial, quando estamos prestes a concretizá-lo, parecemos nos conformar em ser apenas mais uma republiqueta, um exótico e caricato país da América do Sul. É como se algo nos puxasse para trás e impedisse que o nosso destino, imaginado por Zweig, um dia venha a ocorrer. Em 2016 vimos mais uma vez isso acontecer e, da mesma forma que Ronaldinho Gaúcho, acabamos sendo apenas uma caricatura daquilo que poderíamos ser.

O problema de ser um país do futuro é que vivemos no passado.