Há duas semanas, rolava o São Paulo Fashion Week, principal semana de moda brasileira. A menor edição dos últimos dez anos, muito pela crise do país – o prefeito João Doria reduziu em 37, 5% o repasse institucional da prefeitura de apoio ao evento (feito todo ano) – mas também devido às mudanças e questionamentos que a indústria atravessa há alguns anos.

Desde 2013, a semana de moda paulistana traz mudanças. A primeira dela foi a alteração de calendário: antes, as edições eram realizadas em janeiro e junho, e há quatro anos, alteraram-se, segundo a organização, para estarem mais próximas do calendário da indústria e varejo. Bem como assegurar uma proximidade maior das datas das semanas de moda internacionais.

No ano passado, o SPFW deixou de funcionar de acordo com as estações de ano. Assim, os estilistas podem criar livremente, seja mais para o frio ou calor, ou coleções mais atemporais.

Para esta edição, a novidade para as 31 marcas é o “see-now-buy-now”, ou seja, nada mais do que possibilitar a venda das roupas passarelas ou tê-las disponíveis para consumo logo após o desfile. Algumas marcas “tradicionais” do evento alegaram não poder participar por não estarem prontas para este novo funcionamento, como Gloria Coelho, Reinaldo Lourenço e Valdemar Iódice.

Nas passarelas, o que se viu foram roupas mais básicas e clean. A falta de criatividade foi sentida e muitos se questionaram se isso seria efeito da implementação desse novo formato e se não seriam possíveis outros caminhos.

Nos corredores, que em outros tempos ficavam lotados de lounges, desta vez, eram poucos. Porém, eles mostram outros caminhos que possam ser seguidos. Tanto o da Natura quanto o do TNT Energy Drink realizaram rodas de conversa com os temas: sustentabilidade, sororidade, empatia, sustentabilidade e resistência na moda.

E, pela primeira vez, o SPFW em parceria com o Inmod (Instituto Nacional de Moda e Design) e a C&A, apresentou o Projeto Estufa. Funcionou nos últimos três dias de evento, pela manhã. Isto é, de quarta (15) a sexta (17), com três palestras por dia, a primeira se iniciando às 9h da manhã, lotando todos os dias.

As temáticas também se relacionavam à inovação ou como repensar e recriar a moda nos tempos anuais atuais: novos mercados, visão holística de mundo, sustentabilidade, emergências criativas e novas formas de economia foram alguns dos temas discutidos.

Talvez para o SPFW reencontrar seu caminho seja preciso se conectar de fato com os consumidores e entender do que eles estão falando. Talvez tenha evidenciado o distanciamento entre marcas de moda e seus discursos do seu público.

Afinal, em uma semana de moda na qual as palestras e bate-papo geram mais comentários do que os próprios desfiles, é porque o formato desses já não funciona mais e talvez seja preciso pensar em algum formato que seja mais aberto. Tanto para marca, quanto para público.