Nem adianta temer ou tremer. O Brasil já está criando dragões. Nenhuma semelhança com os dragões da independência das Forças Armadas. É só ligar os fatos. A estratégia ganhou forma com aquele pato amarelo da Fiesp, na Avenida Paulista. É explícito o simbolismo do pato e os familiares desta espécie. São aves que andam, nadam e voam. Exército, Marinha e Aeronáutica em um mesmo animal.
Nem por isso, a ditadura vai voltar por vias militares, como querem os desconhecedores da História do país. Faltava o elemento fogo para solidificar o retorno ao Brasil colonial. Assar o pato não resolve. Aprender a soltar fogo pela boca, como os artistas circenses, é talento para poucos. Este quarto elemento virá de milhares de brasileiros que têm fogo no rabo. Há dois tipos de rabudos: os muitos espertos e os idiotas. Nelson Rodrigues foi certeiro: “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade.” Um exemplo recente foi a mulher de olho puxado que praguejou de comunista a bandeira japonesa. Abra o olho, mulher!

O Brasil de Temer está com um olho voltado para os Estados Unidos e outro para a China, onde é cultuado o mitológico dragão chinês. Mas não será mais um produto made in China no país. Está produzido por brasileiros e estrangeiros. O PT pagou o pato por ter se concentrado apenas em três poderes bélicos. Não pensou no dragão. O ex-presidente Lula foi declarando, aos poucos, uma guerra gelada contra os Estados Unidos. Em 2006, propôs acordo com a Venezuela para fabricar aviões militares. Firmou relações com dois países que ameaçam a hegemonia norte-americana: a China e a Rússia. Ficou ainda mais forte ao ser inserido no Brics.

Em 2013, Dilma negociou transferência de tecnologia para construir no Brasil submarinos convencionais e atômicos. Adquiriu 36 jatos supersônicos e se tornou um dos maiores importadores de helicópteros russos, com fábrica a ser montada no país. Os Estados Unidos já tinham “grampeado” a presidenta. Ela se reelegeu e começou a guerra. Havia e ainda há muitas fontes de corrupção para serem exploradas. A mais rentável é a Petrobras, controladora do pré-sal. Dragões preferem guerras psicológicas a lutas armadas. O grande interesse é financeiro e para alguns privilegiados.

Hoje, nem o fogo do dragão é suficiente. O quinto elemento, que é a internet, faz parte da guerra. O PT teve força na internet. Não criou uma imprensa forte em 13 anos de governo e ainda fortaleceu os inimigos da comunicação, que passaram do quarto para o primeiro poder, siameses com o Judiciário. Escola e imprensa podem produzir pensadores ou ignorantes. A bandeira da Educação petista foi mais quantitativa do que qualitativa. A quantidade de idiotas se manteve ou aumentou. Numa das passeatas a favor do impeachment, uma mulher exibia um cartaz: “a favor do feminicídio”.

Apropriando-se de uma análise de Frei Beto, O erro do Lula foi ter facilitado o acesso do povo a bens pessoais, e não a bens sociais”, consultei dez adolescentes de escolas públicas que são contra ocupações em escolas. Somente um tinha bom conhecimento sobre a mula sem cabeça e o saci. Uns tinham ouvido falar desses dois símbolos do folclore brasileiro. Um deles defendeu que ambos eram antigos e tinham que “acabar com isso”. Já o dragão dos desenhos animados e em HQs é idolatrado por quase todos.  Uma estudante radicalizou: “Agora que estou estudando inglês, não vou perder tempo com mula e saci. O halloween tem no mundo todo.” Sobre o dragão ser chinês e meio comunista, ela opinou: “Comunista de outro lugar não tem problema, o que não pode é comunismo no Brasil”.

Além do pré-sal, querem vender terras brasileiras a estrangeiros. O comprador pode ser comunista. O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, ocupa esse ministério para facilitar negociações. Com fogo no rabo, é possível que ele ateie fogo nas abelhas que restam para beneficiar indústrias agro. Seria também uma forma de divulgar o livro de poemas “Marimbondos de Fogo”, do ex-presidente José Sarney, membro da Academia Brasileira de Letras, ABL.

Outro ex-presidente, FHC, tem um conjunto de obras que justifica ser um imortal da ABL. Como sociólogo, ele ainda não escreveu sobre adultério no Brasil, nem aborto.Também merece estudo sociológico o fogo no rabo dos brasileiros espertos, que querem o Brasil só pra si, e a falta de cabeça dos idiotas. Muita gente tem certeza que o pré-sal será embalado e vendido para controlar a hipertensão.