Um bando de nadadores dos EUA sai pela noite do Rio de Janeiro durante as Olimpíadas.

Promovem algazarras, arrumam confusão, depredam um posto de gasolina e voltam à vila olímpica somente de manhã, completamente bêbados.

Para não serem penalizados pelo comitê esportivo de seu país, inventam deliberadamente terem sido “vítimas de um assalto”.

Todas as autoridades brasileiras, sem esperar apuração alguma dos fatos, fazem imediatamente copiosos pedidos de desculpas às “vítimas da violência carioca”.

Mas a história do assalto é muito mal contada e os vídeos de diversas câmeras de segurança transformam em pó a versão dos nadadores.

A polícia carioca resolve apurar melhor os fatos e impede que alguns dos atletas envolvidos embarquem de volta para os EUA.

O jornal USA Today então publica um virulento editorial criticando duramente o Brasil e a organização dos jogos por “exporem estadunidenses aos riscos de uma cidade bruta como o Rio de Janeiro” e pelo “totalitarismo de não permitir que os nadadores voltem à sua pátria”.

Pois não é que, pesem-se todos os problemas sociais e de violência no Brasil, todos os envolvidos acabaram por admitir a mentira sobre o “assalto”?

É que para cidadãos “yankees” vale mais comprometer a imagem de um país, anos de planejamento de um evento global e bilhões de dólares investidos que admitir um erro pessoal; afinal de contas, para essa gente o Brasil é um país de merda mesmo e um assalto a mais ou a menos não chega nem a ser problema – ainda que seja apenas uma invenção com o intuito egoísta de livrar a própria bunda da responsabilidade de seus atos.

É evidente que o USA Today nada publicou nem publicará em tom de desculpas ao Brasil; a lógica imperialista reza que, quando o assunto envolve norte-americanos, brasileiros – e todo o resto do mundo – estão errados aprioristicamente.

Fico apenas a imaginar o que aconteceria com três ou quatros atletas brasileiros que fizessem metade dessa patacoada lá nos EUA; provavelmente já estariam erguidos em paus de arara na prisão de Guantánamo.

Porque o imperialismo se revela principalmente na mentalidade dos dominadores e em suas decorrentes atitudes mundanas; é uma questão de postura, sempre protagonizada pela arrogância dos opressores e por sua absoluta certeza da inegociável submissão do outro – fatos e razões à parte, sempre à parte.

Mas querem saber?

Foda-se Lochte, o imbecil protagonista desse imbróglio e cuja visão de mundo escancara o modo de pensar da maioria de seus compatriotas, pois até quando admitiu a mentira quis culpar “o idioma” pelo “desentendimento”.

Fodam-se os EUA, medalha de ouro em hipocrisia e autoritarismo travestidos de senso democrático.

E por fim deixo um “foda-se” triplo carpado a todos os brasileiros subservientes que cultuam essa nação terrorista e – excluídas aqui as pouquíssimas exceções de praxe – seus arrogantes habitantes que acham que o planeta Terra é nada mais que seu quintal.