Sete artistas do Coletivo Baluarte foram desafiados, em março de 2016, a imaginar como seria a cidade de Recife em 2037, quando a capital de Pernambuco vai comemorar 500 anos. Duas décadas antes foram antecipadas visões de futuro, com respaldo na História e na Arte.  O resultado é a exposição “Recife Sentido, Sentido Recife”.
Entre pinturas, esculturas, desenhos, colagens e outras artes, a Praça da República, a Av. Conde da Boa Vista, o Rio Capibaribe e outros locais se tornaram inspirações para os artistas, que oferecem visitas guiadas ao público. 


Abraão Figueiredo mostra a verdade no contorno do Rio Capibaribe. Populações ribeirinhas, adornos de patrimônio e a vida atual do ‘Cão Sem Plumas’ são registrados em doze pranchas de aquarela.
Alexandre Almeida promove dentro do cubo branco três máquinas do tempo, que resgatam monumentos demolidos durante a modernização da cidade do Recife, como a Igreja do Corpo Santo, o Arco de Santo Antônio e o Arco da Conceição, que encabeçavam a Ponte Duarte Coelho.
Emerson Pontes trata de beleza clássica na pesquisa sobre a contribuição da estatuária francesa na cidade. O ponto de partida são as oito deusas gregas do jardim da Praça da República, inserindo em sua pele insígnias de cada uma delas.
Fabio Rafael mapeia os ‘corações-gigantes’ verdes do Recife ao retratar em técnica mista os baobás, confirmando a ideia de este arbusto ser o melhor representante do lugar.
Com foco no comércio informal, Marcelo Figueiredo traz à tona o Calçadão dos Mascates, com suas cores e objetos coloridos, advindos do sul ou de fora do país, em contraste com a cultura local e seu artesanato.
Paulo Regis se encontra com a Av. Conde da Boa Vista e encapsula o ar da cidade em oratórios, para utilização em um futuro próximo. É o que resta da selva de pedra,
que a população percorre diariamente.
As pinturas de Romero Pontes remetem às praças do Derby e de Casa Forte. As vivências do artista se integram aos modernos projetos paisagísticos de Roberto Burle Marx, com imagens de memória, trechos de cartas e souvenires.  (O
texto de curadoria é de Sandro Vasconcelos). 

A Mostra acontece entre 19 de janeiro e 24 de fevereiro de 2017 no Museu da Cidade do Recife.  A entrada é gratuita, de terça a domingo, em horário comercial. Informações: (81) 3355-9540.

Foto de Máquina do Tempo, de Alexandre Almeida, e uma das aquarelas de Abraão Figueiredo, da série Sobrevida.