Brevíssimo conto de amor de casal fofo – branquinho, cheiroso, hétero e temente a Deus – de paulistanos de bem.

Primeiro ato – Durante a lua de mel na Europa:

– Tá vendo, morr? Olha que limpeza, meu! Aqui ninguém joga lixo nas ruas!

– Ahhhh, benhê, isso aqui é primeiro mundo, né? Ooooutra conversa! E olha que charme aquele moço de terno e gravata indo trabalhar de bicicleta! Acho isso chiquėéérrimo!

– Porra, só é! E aposto contigo que se um carro relar nele o motorista vai em cana na hora!

– Claro que vai! Mas aqui não tem esse risco não; se correr além do limite é multado e perde a habilitação!

Segundo ato – Morr e Benhê de volta a Sampa:

– Porra, morr… Nem dá vontade de voltar pra essa terra de merda depois do nosso banho de primeiro mundo, hein?

– Nem fala nada, benhê, nem fala nada… agora é pagar taxa de lixo e aguentar as ciclovias desse prefeito idiota!

– Isso sem falar na indústria das multas, né morr? Por isso chamo esse petista comunista babaca de Raddad!

– Ahahaha, num guento esse seu senso de humor inteligente! É por isso que eu te amo!

– Também te amo, morr! Um dia a gente muda dessa porcaria de cidade!

– Pra Europa, benhê?

– Quem sabe, meu? Tomara!

– Deus te escute!

– Amém.

E viveram empanados para sempre.