A busca pelo conhecimento pode ser uma ofensa neste – também noutro- tempo.

Mas antes de qualquer coisa abandonemos os clichês: esta busca pode se dar de maneiras complexas, diversas, não dogmáticas e não dedutivas.

Sim, os caminhos investigativos podem ser tão variados quanto nossas sinapses – para usar um termo que muito agrada aos mais afeitos e afoitos pela tradição.

Pessoalmente, preferiria dizer que essa busca pode ser tão variada quanto as possibilidades que nossa própria história nos revela. Possibilidades também tão numerosas quanto são as “sinapses” entre a cultura na qual estamos imersos e nosso universo intrapsíquico. E é justamente aí, entre desejos, neuras e as noias que nos formam, que se dá a busca e a conquista do saber.

Saber que codifica nossas respostas para as ofensas do mundo.

Afinal, a todo momento somos ofendidos, assim como ofendemos. E pouco há a ser feito sobre isso.

Sobretudo porque os saberes não se dão estritamente por métodos impostos, mas também por curiosidades e necessidades de ordens diversas, bem como por sensibilidade e inteligência. E estas duas últimas, caros leitores e leitoras, infelizmente encontram-se mais fora do que dentro do nosso grande esquema. Afinal, há as Ciências e há os dogmas mercadológicos. E nossas crenças mais ingênuas residem neste último.

Assim a ampliação de saberes também é um processo árduo: toca em resistências, incomoda, ofende. E isso pode se dar em instâncias variadas, dos laboratórios aos cafés, passando por jornais e botequins.

Nada disso é novidade: quem se envereda pelos labirintos do conhecimento – por tesão ou necessidade- “é sempre expulso de algum paraíso”, como disse a sábia Melanie Klein.

Essa expulsão se dá pela nossa incapacidade dialógica. Pois o conhecimento só ofende quando restrito aos muros narcísicos de quem ouve e de quem fala.

Conhecimento sem abertura restringe-se ao espetáculo.

Um triste espetáculo. Sobretudo, de ofensas.

Saber só se dá quando é encontro. Integral.