Apesar de tantos estudos novos na Psicologia, o descontrole é ainda um TABU para nós pobres mortais; ser um descontrolado é ser maluco, desajustado.

Quem está sob controle é bem-sucedido e está saudável.

E como todos queremos ser bem-sucedidos e saudáveis (merecemos isso do Universo), ficamos sob controle.

Até a enganosa interpretação que fazemos das práticas orientais nos leva a essa ideia de autocontrole.

Mas É DO PELO EXCESSO DE CONTROLE QUE NOSSO MUNDO ESTÁ SUCUMBINDO ÀS GUERRAS, externas e internas!

Quem acredita que o descontrole é sinônimo de violência não está percebendo o mundo que o cerca: a violência está sendo gerada seja pelo controle dos poderosos se excedendo nas manipulações populares, seja pelos autocontroles individuais autorrepressores.

Até pontuações e parágrafos são controles de pensamento. Discussão da velha Era…….

Aqui relacionamos o controle à falta de espontaneidade, à tentativa “desmedida” de controlar o fluxo da vida.

Não há nada em TODO o Universo que não esteja em movimento. Que não SEJA movimento.

E, portanto, tudo É relação, tudo é dinâmico e necessariamente criativo.

Deus não é fonte, mas FLUXO.

E é o conceito de divindade-fonte (e não fluxo, fluido) que proporciona seres controladores, dominadores.

Quando a Fonte Primeira se torna Fluxo Infinito, então o MOVIMENTO é a maior de todas as Divindades.

Salve, Shiva!

Aqui pregamos a prática do descontrole, uma antiterapia, uma therapeutica. Poderíamos falar em terapia do descontrole, mas seria mais uma mentira, porque a terapia já é o controle em si mesma. Então vamos falar de antiterapia para que nosso descontrole não vire cruz, não gere culpa.

Por descontrole queremos dizer espontâneo.

Quem acredita que o espontâneo é irresponsável ainda está submerso nas falácias projetadas pelas ditaduras.

O espontâneo é responsável porque respeita as leis do Universo, está integrado a elas, é expressão delas.

O espontâneo está expressando os Biorritmos que são harmônicos nas suas desarmonias, respeitosos nas suas irreverências, estáveis nas suas dinâmicas.

DA DANÇA DOS PARADOXOS FALA A VIDA.

Isso é therapeutica: orientar o indivíduo no retorno a si mesmo.

Mas tudo isso é abstração pura, metáforas, filosofia.

De fato, bom mesmo é brincar, correr, sonhar, dar risada, dançar, jogar, criar, amar, ser livre na expressão do si mesmo. Isso tudo é sair do controle, sair do “ajuste”; ser tão imprevisível quanto nossa casa/Universo o é. Livre e sensível. Isso é saúde.