Todos os homens querem meu cu

os corados, os calcados, os recalcados e os requintados.

Todos os homens querem meu cu

os trotskistas, os artistas, os skatistas e os feministas

Todos  os homens querem meu cu

E citam Foucault, citam Catulo, citam Drummond e até Rimbaud…

Mas o que todos querem é meu cu

para eu não ser moralista,

para eu ser a grande foda de SUA vida,

para eu ser a pervertida

para eu ser fetichista.

Que tem antropólogo que diz que é subversão

Que tem Psicanálise que prova que só é tabu e é bom

Que tem filósofo que diz que bom mesmo é gostar de ser  a exceção

Mas chupar boceta nenhum deles defende não!

E vagina é coisa de mulher reprimida

E clitóris coisa de virgem descabida

E do MEU prazer sabe Ele muito bem

Estudioso que é de discurso e depravação

Sodoma e Gomorra

SEU tesão!

Que ali é mais apertadinho

e a seco o sexo é mais safadinho…

E orgasmo?

Esse talvez desencarnado?!

É só não doer se penetrado

E é só sangrar o esperado

Cala a boca! Não para não!

E se não sinto, Freud diz que é desejo incontido

E se machucar, é ignorar, preocupação com isso é higienismo

E se não gozar, espera outra vez, mulher nem sabe direito o que é gozo, frigidez e paranoia,

nem faz sentido!

E me fodem selvagemente

Os mais intelectuais, me fodem até metaforicamente

Mas fodem BEM MESMO é politicamente…

E foda boa não é o que EU sinto,

Foda boa é sim a SUA poesia sadomasoquista

e lírica….

E me fodem conceitualmente

E me fodem repetidamente

E me fodem e me fodem e me fodem

CINICAMENTE…

Todos os homens querem meu cu

já que, se eu não gozo, sou moralista

já que, se eu não gozo, não sou a grande foda da sua vida

já que, se eu não gozo, não sou suficientemente pervertida

E justo eu que li Foucault?!

E justo eu que li Catulo?!

E justo eu que li Drummond?!

O problema mesmo

é que não li Rimbaud!!!

E já que não gozo

Do Teatro Grego, máscara de Medusa e  boa rima

Gemo alto ainda que arredia:

“que nem nos filmes pornôs, Amor,

hoje sou sua putinha!”

trepada de cu e merda

e ferida e

fingida

a arte de ser estuprada

mas academicamente de cabeça erguida

Esse é meu canto AOS de sempre

delicadeza

de poeta sem corpo

vazo de esperma dos que se elegem Deuses.