No início dos anos 90, com o fim da Guerra Fria, vimos o mundo se abrir e passamos a conhecer um processo chamado Globalização.A abertura de mercados como um de seus pilares, ocorreram muitos avanços tecnológicos.

Na moda, isso significou maior acesso de informação por parte de consumidores e marcas, que ainda diminuíram seus custos com a produção em lugares como o sul da Ásia. Dentro desse cenário, nasce o modelo de negócios conhecido como Fast Fashion.

As roupas com design (muitas vezes assinadas por estilistas consagrados) a preços baixos abriu a indústria para pessoas que não fossem da elite, o que ficou conhecido como democratização da moda.

Mas será que podemos mesmo falar em democratização?

O fast fashion trabalha com produção em série, ou seja, padronização de roupas. Isto exclui as pessoas não pertencentes a tal padrão. Nesse mercado, as coleções se baseiam em temas e se você não gosta de algum tema, você está fora.

Além disso, dentro desse modelo, vemos condições de trabalho sub-humanas nas confecções de peças. Então, além do preço, o que de diferente o fast fashion trouxe à moda?

Talvez só possamos falar de uma moda democrática quando aceitarmos que cada um pode se vestir da maneira que desejar, isto é, não julgar estilos que sejam diferentes e possibilitar que eles existam. Ou quando se puder entrar numa loja e comprar apenas um pé de calçado.

Ou que parte do trabalho dos vendedores seja descrever as peças para que uma pessoa com deficiência visual tenha o poder de escolha. Ou quando uma pessoa, com menos recursos financeiros, também tenha estilo e design nas peças que deseja sem que se utilize mão-de-obra análoga à escravidão na confecção delas.

Enquanto a escolha pela forma e modo de vestir não for real, não podemos falar de democratização da moda, ela ainda será uma indústria excludente. Talvez para a moda se tornar democrática seja preciso uma mudança na lógica do mercado, talvez seja preciso entender que a questão se passa pelo poder de escolha e não apenas de preços.