O Cara estava reunido com um grupo de intelectuais brasileiros para encontrar uma saída para a crise moral vivida no país. Ele estava com um semblante calmo, confiante e um tanto enigmático. Usava seu costumeiro boné da Nike, uma camisa com a foto do Donald Trump e os dizeres “America great again”, uma bermuda da Pakalolo e um par de Crocs azul furta-cor. Entre um tópico e outro bebericava seu Remy Martin Louis XIII Black Pearl dado por seu melhor amigo Frendo.

– Então está decidido. O Nando vai cuidar dos adolescentes, o Boni vai cuidar da família brasileira, o Professor que está morando nos Eua vai cuidar da terceira idade e Shezi vai cuidar da mídia. Todo mundo de acordo?

– Mofhobics.

– Fechado.

– Perfeito.

– Água mole em pedra dura em casa de ferreiro que o espeto é de pau.

– O Professor como sempre muito profundo. Nunca entendo bem, mas um dia chego lá. Por onde começamos Shezi? O que esses malditos petralhas estão aprontando agora? Aposto que é algo grande. Odeio esses comunistas. Diz aí. O que tá rolando nas manchetes?

– Bom Cara, na verdade é o PSBD que tá mídia. Até tentaram empurrar uma história de um sítio com um pedalinho, mas acho que não colou. Essa semana deu mesmo foi o FHC e o Alckmin na mídia.

– O FHC? O que ele fez?

– Parece que ele sustentou a ex-amante no exterior com pagamentos através de uma empresa fantasma. 3 mil dólares todo mês.

– Eita que esse povo traidor gosta do número 3. Judas traiu meu filho por 30 moedas de prata. Mas relaxa, esse aí não dura muito. Daqui uns dias ele morre e a Globo faz ele virar santo de novo. Como brasileiro não tem muita memória logo esquecem.

– Bandido bom é bandido morto.

– Boa Boni. Mas calma que esse ai é nosso. É do time dos bonzinhos. Diz aí, Shezi. E esta história do Alckmin. O que esse velhaco aprontou dessa vez?

– Bom, você sabe que quando queremos ninguém encontra culpado pras coisas no Brasil. Por enquanto só descobriram o crime. Mas foi na gestão dele. Depois do papelão de fechar as escolas agora constataram um mega roubo de merendas escolares.

– Putz. Mas aí complica.

– Aqui se faz, aqui se paga, o silêncio é de ouro, e quem tem dinheiro não falta companheiro.

– De novo Professor? Você não perde uma heim? Um dia ainda entendo sua filosofia.

– Só não estupro o Alckmin porque ele é feio e não vale a pena.

– Calma Boni. Shezi, a situação não tá fácil. Mas eu sou o Cara, esqueceu? Sempre tenho uma solução pra tudo. Quando não tenho mando afogar todo mundo com fiz na época de noé. O negócio é o seguinte. Você vai dizer que o pobre do Alckmin não está roubando merendas. Ele está ensinando os alunos como sobreviver no mundo. Em vez de dar o peixe, ele está ensinando a pescar. Se os alunos tivessem a comidinha pronta todo dia na hora do intervalo eles se acomodariam. Agora vão precisar correr atrás.

– Mophobics.

– Obrigado gente. Às vezes até eu esqueço o quanto sou bom. Viu? Tem solução pra tudo.

– Mas você acha que cola?

– Se cola. Esse povo engoliu a história da virgem. Essa dá merenda vai ser moleza. Piece of cake. O que precisamos agora é criar outro boato pra eles esquecerem desse bem rápido. Como tá a história do tripléx?

– Do ex-presidente em exercício ou dos Marinhos?

– Vixe, ainda tem mais essa? Semana difícil rapaziada. Espera um momento. Frendo, liga pro Gaby e manda subir algum famoso. Qualquer um. Não precisa nem ser rico. Serve sub-celebridade. Eles sempre se consternam quando morre alguém. Daqui uns dias a gente volta com tudo contra o sapo barbudo comuna-terrorista.

– Cara, você é o Cara.

– Mophobics.

– A boa notícia tem pernas curtas, e a emenda sempre pode sair melhor do que o soneto.

– Ah, Professor, para com isso. Desse jeito minha inteligência fica ofuscada pela sua. Assim não vale.

– Mophobics, mophobics.