ontem, pra encontrar o presente que quis dar a uma querida, fui a duas renomadas livrarias.

em ambas, o onipresente rosto do servo moro, qual tivessem montado um templo para sua adoração.

já fui revisor de duas grandes editoras, e não sei hoje, mas, 8 anos atrás, o esquema era o seguinte: para um livro ter tal destaque em vitrines e estantes, pagava-se a livrarias “importantes” algo entre R$ 2 mil e R$ 4 mil – por semana.

puta investimento, considerando-se que, via de regra, editoras pagam aos autores 10% do preço de capa [20%, no máximo, se você se chamar, ou se tornar, Verissimo, Paulo Coelho, Ruy Castro, Fernando Morais e afins], alegando que os 90% restantes compreendem “custo industrial”, no qual está incluído esse jabaculê, dando às livrarias, que não fizeram porra nenhuma [tampouco darão comissão dessa corrupção a quem fará alguma coisa: os vendedores], um ganho enormemente maior do que o obtido, se obtido, por quem se fodeu para produzir lucro, e viva o capitalismo, hosanas à meritocracia.

também já fui redator em três agências publicitárias [uma, nanica; a outra, média; e a última, grandona], e foi ok essa experiência, por corroborar uma máxima do meio publicitário segundo a qual “se o produto for ruim, não há propaganda que possa vendê-lo”, o que não tem abacate a ver com o tamanho da agência.

e volto ao livro.

encalhe absoluto, com as pessoas passando pelo santuário como se este fosse uma trouxa de cuecas sujas – lembrando: o público base dessas livrarias é o mesmo que se via nas micaretas fascistas -, e isso que o troço mal foi lançado, com bruto estardalhaço midiático e, muito importante, quando a operação da qual o servo moro é office boy voltou com tudo logo após o ministro da justiça do verme golpista temer ter um particular com o boy, quando os holofotes saíram de seus ministros e comparsas no pmdb, voltando-se para as prisões preventivas e conduções coercitivas de petistas.

um fiasco mercadológico digno das previsões apocalípticas da miriam leitão para tudo empreendido pelas vítimas e alvos dos donos de servo moro.

previsão que ela não fez – nem poderia: como mãe do autor, natural que leitão desejasse apenas o melhor, contrariando todas as regras de mercado, inclusive a já citada sobre o meio publicitário.

de alguma forma torta, o mesmo que fez durante os dois governos de Lula, no primeiro mandato de Dilma Rousseff e durante o segundo mandato desta até o seu sequestro por um golpe, sempre contrariando regras, deformando resultados e na contramão de todos, inclusive de um Nobel da Economia.

bem, não se pode dizer que, ao menos em seu modus operandi, leitão não seja coerente…
o filhote não tem seu talento [sic], ou sua sorte.
que bom.