A gente escuta mal, pensa que compreende o que o outro não disse, entende o que a pessoa disse antes que ela termine de dizer, interrompe o que o outro está dizendo para falar o que se pensa do que se supõe que ele dirá. (Entender é grave)

A gente escuta mal, crê saber a palavra que o outro esqueceu, se fixa demasiadamente nessa tal de empatia-que-tá-na-moda, acredita que sabe o que o outro sentiu quando nunca se vive o que o outro viveu. (Ninguém veste a pele do outro, ainda que o suponha)

A gente escuta mal, ouve as palavras que o outro diz e acha que as escutou, ouve o que o outro diz e fala cedo demais, ouve o que outro diz já pensando no que responder. (Ouvir é diferente de escutar)

A gente escuta mal, acha que sabe o que é melhor pro outro, acha que não sabe o que é melhor pra si, não sabe que quanto mais se acha que achou algo, mais se está perdendo. (Escutar é exercício de alteridade).