O lugar de quem espera

O lugar de quem espera. De quem é flexível. De quem se mobiliza em direção ao outro, pois sabe que esse outro não se moverá por você. O lugar de quem depende. O lugar de quem é deixado sem nenhuma certeza. O lugar de quem está disponível. O lugar de quem necessita. O lugar de quem pode ser deixado de lado a qualquer momento por qualquer outra pessoa, evento e, pior, por qualquer outra COISA. O lugar de quem abre o tempo com as mãos e, de pulsos quebrados, vê o outro jogar essa pequena e importante fresta  de resistência… no lixo. O lugar de quem não tem ninguém participando de sua vida, pois é a a programação do OUTRO, a genialidade do OUTRO a única capaz de gerar boas sugestões de experiência. O lugar de quem a palavra em si e toda a memória que comporta nada dizem e importam. O lugar de quem não tem títulos à altura ou não fala tão devidamente abstrato.

O lugar do abstrato, suspensão, do ser içado:

O lugar da angústia.

Angústia…

Da ansiedade.

de quem está à mercê de ponteiros que se movem tão rápido que aos olhos humanos acabam por sempre estar no mesmo lugar.

O lugar de quem tem de ser a que se compara. De quem é repetidamente convidada a se colocar em questão de maneira histérica e vazia. O lugar de quem não participa, mas limpa o salão ao final da festa. E que deveria agradecer a Deus pelos restos de doces que foi autorizada a degustar.

O lugar sem nome.

Sem temporalidade.

Sem corpo

(comparações sem sentido só descorporificam).

Sem história.

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O não-lugar.

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É sutil. Minar sua autoestima pelo que compromete do seu tempo. Pelo que duvida de sua fala.

Pelo que analisa (dividir em partes) publicamente de seu corpo.

O cansaço e aflição da espera.

A solidão.

O aceitar qualquer quase-afago para resistir e esse congelamento do tempo.

E novamente a espera.

A espera.

A espera.

A espera.

A espera.

O não-lugar.

!

RECUSA.

: O meu tempo sou eu.

E eu não vou negociar.