A palavra arte vem do latim Ars, que significa habilidade. A definição mais comum dela é a da manifestação estética feita por artistas a partir de percepção, emoções e ideias a fim de estimular o interesse de consciência em um ou mais espectadores e que cada obra possua um significado único e diferente.

Portanto, definir o que de fato faz uma coisa ser arte ou não encontra tantas dificuldades que há quem, até hoje, não reconheça Duchamp artista, embora esteja inserido nesta classe, entre outros.

Na moda, há muito tempo existe essa indefinição se ela está inserida no campo das artes ou não (aliás, quando se trata de moda, são muitas as definições do que ela é, como você pode relembrar aqui – http://www.revistalinguadetrapo.com.br/a-moda-e-plural-por-nadia-mello/).

Quando começou a se desenhar o sistema atual da moda, Charles Frederick Worth se considerava um artista por suas roupas (criações). E, desde então, a relação tem sido bem estreita entre as duas.

Chanel, Elsa Schiaparelli, Rei Kawakubo (Commedes Garçons), Margiela, Hussein Chalayan, Alexander McQueen, Galliano (quando estava na Dior), Yves Saint Laurent são alguns dos estilistas que se influenciaram da arte e fizeram das roupas a sua própria manifestação artística (conforme a definição introdutória deste texto).

Em 2004, durante o São Paulo Fashion Week (SPFW), JumNakao apresentou o desfile A Costura do Invisível (link: https://www.youtube.com/watch?v=5cLrpVuNtPI). Nele, as roupas desfiladas eram feitas de papel e, ao final, as modelos as rasgaram (como um questionamento do papel das roupas e da própria moda). Não seria isso o propósito também da arte?

E até dos museus (lugar das artes) a moda faz parte. Em 1971, Diana Vreeland (foi uma das principais jornalistas de moda – editora da Vogue e Harper’sBazaar) se tornou consultora e programadora do MetropolitanMuseumofArt (NY), para onde levou exposições e desfiles, como da Balenciaga e Yves Saint Laurent, que contaram com mais de um milhão de pessoas.

Em São Paulo, no ano passado, foi Patricia Carta (publishier da Harper’sBazaar) quem assumiu o acervo de moda do Masp.

As exposições de moda têm mostrado a ligação dela com a arte. A mostra Alexander McQueen: SavageBeauty foi a mais visitada no Victoria & Albert Museum (2015, Londres) e a oitava maior no Met (2011, NY). E ela foi a “responsável” pelas visitas de madrugada aos museus (algo então inédito).

Ao que tudo indica, a moda é sim arte (também). Embora, uma arte usual. E, talvez, o reconhecimento dela nesse sentido poderia nos trazer de volta a criatividade que tem estado tão em baixa nesses tempos ligeiros de Fast Fashion. Talvez entender a moda possa ajudar na transformação do mercado da moda para um modelo mais justo e consciente, porque iria trazer de volta a ideia de valor e não apenas do preço das roupas.