As roupas, adereços ou pinturas corporais são elementos presentes em qualquer cultura, não importa a etnia, raça ou origem. A roupa reflete a identidade e também o grupo ao qual a pessoa pertence. A maquiagem, usada em nossa cultura para ressaltar as qualidades do rosto, em outras  é vista como forma de identidade individual ou diferenciação social. Os acessórios utilitários para alguns grupos sociais, os sapatos por exemplo, podem parecer totalmente desnecessários a outros.  Antes do surgimento do conceito de moda, esse conjunto de elementos era denominado indumentária, e  seu processo de transformação era bastante lento.

O conceito de moda surgiu no início da Renascença, na aristocracia de Borgonha, com o desenvolvimento das cidades e a organização da vida das cortes, quando nobreza e burguesia se aproximaram espacialmente, iniciando um processo de grandes transformações de ordem sociocultural. Os burgueses, enriquecidos pelo comércio, passaram a imitar a  forma de vestir dos nobres, que, por sua vez, inventavam novos modelos para se diferenciarem. Denominam-se moda as transformações socioculturais relacionadas à indumentária, que se aceleraram no transcorrer da história.

Na década de 1950, o consumo, inclusive o de moda, deu um salto relevante. A propaganda teve influência relevante nesse fenômeno. Mulheres e adolescentes, que ficavam a maior parte do tempo em suas casas, eram alvos das publicidades veiculadas pelo rádio e  televisão.

Essas propagandas apresentavam pessoas belas e perfeitas – considerando a estética construída à época – e os espectadores consumiam os produtos em busca de se enquadrarem nesses padrões. A indústria de roupas e acessórios se valeu deste comportamento para recrudescer suas vendas.

No final da década de 90, com o desenvolvimento tecnológico e o crescimento exponencial do consumo,a moda ganhou a proporção do Fast Fashion.

Essa indústria ocupa hoje o 2º lugar entre as maiores do mundo, mas pouco se fala sobre os impactos negativos de seu processo de produção. Boa parte dos tecidos usados pelas confecções  é produzida com sangue e suor de pessoas que vivem em condições sub-humanas, muitas vezes em trabalho semiescravo. As tecelagens geram enormes impactos ambientais, comprometendo rios e solos, bem como gerando poluição do ar pela emissão de gases tóxicos como o metano.  Sem contar as fibras sintéticas, que, além de derivadas do petróleo, demoram 400 anos para se decompor.

Hoje, pessoas preocupadas com os impactos socioambientais causados por essa indústria apresentam propostas diversas, que chegam a discutir e reivindicar a morte da moda. Ela morreria como a conhecemos, isto é, como algo efêmero, fútil e raso, que tem por objetivo estimular o consumismo e a geração de lucros para poucos. Quem sabe se transformaria em algo próximo de suas origens, como um fenômeno sociocultural que expressaria a identidade de um grupo social.

Chegamos a um patamar insustentável para a produção da moda atual. É preciso mudar. Os recursos são cada vez mais escassos e a exploração do ser humano é inaceitável. O mercado só compreende a linguagem do lucro, portanto é preciso  rever hábitos de consumo e enxergar a roupa como uma linguagem, uma forma de expressão, e não um objeto a ser descartado a cada mudança de estação ou “tendência”.  Para repensar, propomos um exercício.

Olhe para dentro de si e se questione: 

Quem é você? 

O modo como você se veste condiz realmente com o que você é? 

Ao pensar em comprar uma peça, você deve se perguntar se realmente precisa dela, ou se apenas está respondendo a estímulos de consumo gerados pelas mais diversas formas de propaganda.

Na hora da compra, quando vê aquela peça baratinha, você para e reflete sobre como e por quem aquela peça foi confeccionada? Qual foi a condição de trabalho da mão de obra empregada em sua confecção?

Quando escolhe uma roupa, se preocupa com a durabilidade? Pensa em tê-la por anos e anos seguidos?

Aquelas peças inutilizadas há tempos dentro do armário estariam lá se você tivesse pensado em todas essas questões antes?

A indústria, aliada à publicidade, te faz acreditar que é quem não é,  que precisa do que não precisa e que não pode usar o que pode usar.

O consumismo limita a visão e distorce identidades. Leva as pessoas a um mundo de aparências completamente ilusório, e enganoso. É preciso que se reflita sobre um consumo responsável. É preciso que se busque uma forma mais justa de produzir, consumir e vestir.

#DESGUARDA

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