Embora muitas pessoas possam me criticar, sou um torcedor adepto do policlubismo. Para cada situação e contexto tenho um time para torcer. Por isso sou ao mesmo tempo Corinthians, Ferroviária, Noroeste, Peñarol e muitos outros. Contraditório? Um pouco, mas existem outras coisas mais contraditórias na vida e não vejo ninguém reclamar. Se o futebol é uma religião, na minha visão ele é uma religião politeísta. Afinal, já que existem tantos clubes legais, por que torcer para apenas um?

Isso que o Timão e a Ferrinha, especificamente, são apenas os mais constantes e as mais antigas paixões em minha vida futebolística, não as únicas. Os demais times têm, cada um, sua história na minha vida, e as razões pelas quais entraram nela são as mais diferentes possíveis. De qualquer forma, é uma lista que não para de crescer. Ultimamente tenho alimentado uma simpatia considerável pelo Liverpool, muito pelas manifestações de sua torcida contra o golpe no Brasil e pelos seus tradicionais cânticos contra a já falecida diva neoliberal Margareth Thatcher.

Há ainda outros casos de amor mais pontuais, passageiros, como o Milan do final da década de 80 com seu mitológico trio de holandeses (Van Basten, Gullit e Rijkaard), o Flamengo do Zico e companhia; o Bangu de 1985, surpreendentemente vice-campeão brasileiro; a Portuguesa também vice-campeã brasileira em 1996. E como não se lembrar do São Caetano de Jair Picerni e Ademar, ou da gloriosa Inter de Limeira, campeã paulista de 1986?

A lista é longa e o amor é imenso. Porém, antes que alguém chame meu coração de leviano, peço que compreendam uma coisa. Como já disse, o futebol é para mim uma religião politeísta e, assim sendo, esta ideia de amar só um deus, ou time, acima de todas as coisas é algo que eu não entendo. Afinal, como assistir a uma partida sem ter um lado para torcer, ver um gol e não sentir nada?

Jogo de futebol não é igual a espetáculo de ballet, a que assistimos somente para ver a beleza e a plasticidade dos gestos e jogadas dos jogadores. Assistimos ao futebol pela emoção, pela energia e isto tudo só é possível se temos um lado para torcer. Como vibrar e se deleitar com a vitória de um time pelo qual você não torce? Não dá. E como assistir a um jogo sem torcer? Se as equipes de um jogo não me dizem nada, eu nem assisto. Eu sempre tenho que escolher um lado, mesmo que esta escolha só dure os noventa minutos da partida.

  Existem aqueles que me acusarão de não ser um torcedor de verdade, dirão que torcedor que é torcedor só torce por um time. Respeito estas opiniões, porém acho-as  restritas demais. Elas não servem para mim, pois gosto tanto de futebol, e este gostar é tão grande, que apenas um time não me basta.