Confesso que começo este texto tomado pela emoção.  Quando pensamos em lançar a nova e-revista Língua de Trapo num formato atualizado, mais moderno e profissional, me veio à mente um ensaio de um grande fotógrafo, amigo queridíssimo  e  ser humano imenso, Palê Zuppani.

Palê, Du e Zé Zuppani, três fotógrafos de excelência, cada um com características únicas, são responsáveis por muito do que aprendi sobre fotografia, desde as críticas ao meu trabalho às lições sobre equipamentos.

Quando decidi viajar pelo Delta do Parnaíba e Serra da Capivara, para uma imersão nos ecossistemas locais, identidades regionais e na fotografia, foi Palê quem me ajudou a elaborar o roteiro de viagem e me indicou amigos que me ajudariam, como o grande Pedro Holandês, morador e guia local.

Há pouco mais de um ano, Palê nos deixou, guerreiro, lutou com enorme coragem e dignidade contra a leucemia. Deixou exemplos, lições de vida, solidariedade e sua arte, a fotografia. Palê é um dos maiores fotógrafos da natureza do país. Dormia no mato ou sobre árvores para conseguir clicar animais nas primeiras horas da manhã ou nos mais longínquos recônditos.

Palê sempre teve paciência e facilidade para se aproximar de animais silvestres e conseguir cliques sensacionais. Durante anos, viajou pelo Brasil desvelando as imensas belezas naturais do país, promovendo por intermédio de seu trabalho a consciência sobre a necessidade de se preservar o ambiente.

Agradeço imensamente ao Du Zuppani, Desireé Zuppani e Zé Zuppani, amigos queridos e pais e irmão do Palê, por cederem as imagens deste magnífico ensaio fotográfico realizado na região do pantanal.

Este trabalho  desvela a intimidade do fotógrafo com a natureza. Impressiona pela aproximação com algumas espécies, como o tamanduá bandeira. Encanta pela explosão de cores captadas pelas lentes de Palê. Seduz o interlocutor pela escolha dos ângulos e beleza das composições.

Sinto-me honrado em apresentar este ensaio e resenhá-lo. É uma forma singela de homenagear um amigo queridíssimo, um ser humano espetacular e um fotógrafo genial, Palê Zuppani.

 

Texto de Cadu de Castro