Trabalho com viagens há um bom tempo, mas fotografo há bem mais. Para mim, a fotografia é sempre um bom motivo para uma viagem, ou vice-versa.

Com o passar do tempo, a busca por temáticas que pudessem ser desenvolvidas de maneira mais profunda, vislumbrando um registro mais relevante e memorável, se tornou uma motivação pessoal. Aliás, memorável é mesmo o termo, porque a fotografia tem essa relação íntima com o tempo: pensar cada clique como o “fio de prumo de um gesto eterno”, relembrando Bourdieu, e saber que posso revisitar uma imagem e lembrar daquela experiência real, ou contar uma história, ou (re)criar várias outras, é inspirador.

Na verdade, a viagem toma, para mim, outro rumo, enquanto estiver com a câmera na mão. E isso tem a ver com memória, mas também com criatividade.

Minha formação e meu trabalho me fazem olhar de forma bastante crítica os cenários “criados” para viajantes, e isso se estende às minhas imagens. São registros fotográficos que, normalmente, tentam passar longe dos tradicionais.

Seguindo essa linha, tenho viajado com frequência ao Norte e Nordeste do país – este último, berço da família materna – e, entre paisagens e festas tradicionais, algo que sempre me encanta são as feiras e mercados. É lá onde encontro o verdadeiro dono daquele espaço. Entre um clique e outro, às vezes faço amizades, às vezes passo despercebido, e dá-lhe foto!

Separei, para ilustrar esta edição da Língua de Trapo, algumas imagens deste projeto. Um trabalho em construção, sem a pretensão de ser documental, que apresento aqui pela primeira vez: