O natal é um festival de consumismo de fazer inveja a qualquer Black Friday e, como tal, promove a inexorável frustração resultante da falta daquilo que não se precisa.

O natal é um esbanjamento gastronômico que insulta todos aqueles minimamente cientes do problema mundial que a fome ainda representa.

O natal é a pretensa redenção periódica da burguesia, que finge expurgar seus preconceitos e sectarismo através de uma falsa empatia por descamisados na forma de um prato de comida e de um embrulho em papel de presente – que automaticamente validam o ódio de classe e o abismo social dos outros trezentos e sessenta e quatro dias do ano.

O natal constrange todos os não-cristãos com a apropriação indevida de características humanas relevantes como o amor ao próximo, a fraternidade e a solidariedade, que se transformam em commodities cristãs vendidas dentro de meias dependuradas em árvores de plástico ornamentadas.

O natal, ainda que travestido de efeméride humanista, representa exatamente o oposto de todos os ideais socialistas.

Então é natal.