Enquanto a publicidade mantém conteúdos ultrapassados e o marketing digital aposta em melhores relacionamentos com clientes, eu faço divulgação espontânea para a Dinamarca e a Colômbia, que adotaram metas sustentáveis até 2020. Nestes dois países, o Agro é tudo, o Agro é tech, o Agro é pop.

Nos três próximos anos, a Dinamarca pretende se tornar o primeiro país a produzir 100% de alimentos orgânicos. É uma revolução comercial e na saúde. Na contramão dessa tendência, o Brasil lidera o ranking mundial no consumo de agrotóxico, com alimentos que envenenam e podem matar. Já as exportações de carne seguem normas internacionais no uso de anabolizantes.

A agricultura familiar brasileira é o modelo para a Bolívia, que busca a autossuficiência em alimentos até 2020. O governo boliviano investe para fortalecer a produção rural interna. Bem diferente do agro pop brasileiro, em que governantes e grandes proprietários de terras disputam privilégios e poderes na Câmara e Senado. Como resultado, o país deixa de arrecadar bilhões de reais com impostos do agronegócio.

A publicidade tem encantos criativos, mas acima de tudo quer ganhar dinheiro. Neste início de ano, a Petrobrás abriu licitação para agências de publicidade, no valor de R$ 550 milhões. É previsível que só serão divulgados informativos de interesse político. É antimarketing informar que a Lei da Partilha da estatal, que garantia 65% de equipamentos produzidos internos para a exploração do pré-sal, foi reduzida para 25%. Essa abertura ao capital estrangeiro vai enfraquecer ainda mais a indústria local e aumentar o desemprego. Por essas e outras, entrei para o tráfico para performar.

5 dicas para rejuvenescer 15 dias 

  Sou do tempo em que necessidades de clientes eram supridas por produtos e serviços. Expectativas podiam ser superadas.  Produtos eram eternos somente enquanto duravam os benefícios. Recentemente, lendo sobre marketing digital, aprendi que clientes têm dores e há produtos “perpétuos” para resolver problemas da “sua persona”. Jung definiu persona como uma máscara ou personalidade idealizada que é apresentada aos outros.
Sem saber que eu tinha dores e sei lá quantas personas, pela primeira vez sinto vontade de adquirir produtos que não atendem as minhas necessidades. Nunca pensei que eu fosse esperar por três e-mails semanais de uma empresa. Se deixarem de encaminhá-los, vai dar vontade de ligar ou escrever para valer meus direitos de cliente seduzido por um e-commerce.

A divulgação do produto vem acompanhada de três informativos que traduzem o conjunto dos meus propósitos de vida. Informações didáticas e que valorizam quem eu sou. Falamos a mesma língua. É a minha tribo. Nem parece negócio. A marca incentiva um consumo consciente. Vou comprar muito mais pensamentos e sentimentos do que um produto.

Um especialista nesta área, Joe Pulizzi, tem definições que me agradam: “Marketing de conteúdo é a arte de compreender o que seus clientes precisam saber, para você oferecer a eles de uma forma relevante e atraente”. Joe defende a conquista de mais clientes com menos marketing, considerando que o usuário de internet prefere informações a ofertas e promoções.

Diante dessa boa experiência com o conteúdo digital, estou aprendendo a performar. Não tenho intenção de ser CEO, fazer SEO, nem saberia ganhar céus de dinheiro em um mercado de muitos talentos. Sou um estranho nessa rede. Passo vergonha. Somente eu associei “tráfico orgânico” com tráfico de órgãos.

Venci a resistência e participei de uma aula gratuita. (O advérbio Grátis é muito mal usado na publicidade). O primeiro exercício foi elaborar uma postagem com títulos impossíveis de serem ignorados e clicados. O objetivo é ficar bem posicionado nas buscas digitais. Considero exagerada a quantidade de títulos publicitários e jornalísticos com números: “5 dicas para…”, “Conheça os 12…”

Sem ter aprendido o primeiro passo, já quis inovar e me dei mal. Elaborei um título com dois números: “5 dicas para rejuvenescer 15 dias”. Fui excluído da aula “grátis”. Perguntei o motivo, me indicaram o tráfico pago. Entendi que o orgânico e o gratuito não eram pra mim. Eu viveria o “marketing da esperança”, na expectativa que alguém, um dia, descobrisse o meu negócio. Não era isso que eu procurava. Não identificaram a minha necessidade. Perguntei novamente:

– Quem vai resolver a dor da rejeição que eu tô sentindo agora? Se eu pagar, vocês me garantem o perpétuo? Eu quero ser um produto perpétuo. Tem jeito?