O imperialismo ocidental que assola os direitos humanos no Congo

A República Democrática do Congo possui um território extenso – o segundo maior do continente africano -, grande diversidade natural e é rica em recursos minerais, como diamante, ouro e coltan. No entanto, as belas paisagens e a soberba na extração do minério não garantiram a prosperidade do país, que foi usado como mola propulsora para enriquecer as elites de seu colonizador, a Bélgica.

A luta de Patrice Lumumba – revolucionário anti-imperialista e defensor do pan-africanismo – culminou na independência do país, em 1960. No entanto, belgas e norte-americanos insistiam em sabotar a vitória de Lumumba, afinal, o Congo é um país muito rico. Após diversas reviravoltas políticas, em 1965, Joseph Mobutu, coronel do exército militar congolês, aplica um golpe de Estado, e se torna o presidente do país, e futuro ditador.

Shesa, assim se apresenta ao falar conosco. Também conhecido como Lambert, ele tem o costume de usar o seu nome africano, pois, segundo ele, durante o governo de Mobutu, os congoleses foram obrigados a excluir seus nomes ocidentais e cristãos. A política de africanização levou o país a mudar o nome para Zaire.

Com apoio dos europeus e do governo norte-americano, Mobutu concentrava parte do PIB em suas mãos, assim, ampliava seu saldo bancário, enquanto o povo vivia cada vez mais abaixo da linha da pobreza. Infelizmente, o Congo é uma nação assim como todas as ex-colônias do europeu opressor, abençoada pela mãe natureza e amaldiçoada pela ambição das elites carniceiras.

De acordo com Aphonse Nyembo, o Congo sofre com décadas de ditaduras que visam atender aos interesses imperialistas. Com a economia falida e as instituições estatais sucateadas, o povo agoniza por condições mínimas de vida. Com um dos piores índices de IDH do mundo e uma das piores rendas per capita, o país possui uma taxa de mortalidade altíssima; a cada 5 minutos morrem cerca de 20 seres humanos e, para cada mil crianças que nascem, morrem 115.

A guerra e a miséria fazem com que a população busque refúgio, principalmente, em países vizinhos. Aphonse e Shesa precisaram fugir da República Democrática do Congo para que salvassem sua vida. Shesa foi acusado, injustamente, de apoiar um dos grupos rebeldes ao governo, e que lutam na região dos Grandes Lagos – território estratégico para a economia do país. Já Aphonse era um dos líderes do movimento estudantil e, por este motivo, foi ameaçado de morte. Os dois saíram de seu país não por vontade, foram forçados, foram obrigados a sair para preservar sua vida e de seus familiares.

Ambos garantem que os conflitos armados que ocorrem em muitos países do continente africano são orquestrados pelo imperialismo europeu e norte-americano, com o objetivo de ampliar as riquezas de suas nações e expandir a desigualdade social na África, sem ter compromisso algum com os direitos humanos.

A guerra no Congo causa um grande deslocamento de migrantes no país. Segundo dados do ACNUR – Agência da ONU para refugiados – em um balanço de 2016, até o mês de abril, são reconhecidos 968 refugiados do Congo no Brasil.