Não sei não. Acho que o show da semana passada colocou definitivamente o MPF no interior do círculo de fogo que vem comandando vaidades múltiplas e partidarização do ar, da terra e do mar tupiniquins.

Parte de seus membros não consegue perceber que há uma obrigação tácita de preservar a imagem de uma instituição que deve defender direitos constitucionais.

Nesta direção, não deve haver personalismos. O funcionário exibicionista usurpa precisamente a natureza pública de órgãos com esta função superior.

A formação superficial desconsidera a necessidade deste autocontrole.

E este é o ponto: qual será, afinal, a formação e informação que esses jovens – que não escondem seu ímpeto de olhar seu reflexo no espelho e deduzir que miram o mundo e a perfeição – receberam?

Há quem afirme nas redes sociais que se trata de uma geração de concurseiros, ou seja, gente forjada em gabinetes que não cultivaram outras inteligências (para citar Howard Gardner, do Projeto Zero, de Harvard), como a interpessoal.

De certa maneira, se esta hipótese tem algum sentido, guarda relação com o que se transformou a carreira acadêmica. O encurtamento da pesquisa para titulação de mestres e doutores no Brasil acabou por esvaziar sensibilidades e colocou qualquer arrivista em contato direto com a Porta da Esperança. Um texto simplório, ao estilo do fatídico Power Point, leva o ansioso candidato a uma velocidade de bólido. Em poucos anos já é um doutor que se candidata a um superficial concurso para dar aulas em universidades.

Que tipo de professor se pode esperar daí? Alguém que não terá humildade para julgar ou auxiliar no crescimento do educando. Cada avaliacão que desfechar, para este jovem arrivista, se apresenta como autoafirmação de sua genialidade. Implacável, não julga mirando o julgado, mas a plateia, os que devem apreciar sua superioridade ainda não percebida pelos desavisados.

Não há como forjar uma inteligência estatal com consciência de seu papel público se sua formação é toda focada no sucesso individual, na corrida ao Olimpo.

O Brasil colhe os frutos podres da pressa. A analogia não é minha, mas de Bertrand Russell. Não existe possibilidade alguma de se apressar a natureza. Pode-se tentar acelerar a maturação de uma fruta, mas ela perderá sabor. Será um pastiche de fruta, como a batata Pringles, que imita uma fatia de uma batata real.

O Brasil se tornou este pastiche desajeitado e o serviço público mais parece uma corrida de obstáculos em que só cabe a medalha de ouro.

Como não se admite nada abaixo do fantástico, e como o fantástico é consequência de erros e aprendizagens, só colhemos exageros, humilhações, arrogância e a perseguição como chantagem.

A chantagem dos que, pelo medo, intimidam seu próprio julgamento pela plateia que a eles assiste.