Com tremenda frequência circula por todo o núcleo frito e acéfalo da internet memes mostrando ativistas do MST em fila para comer um daqueles hambúrgueres petroquímicos do McDonald’s como se isso representasse vexatória contradição que deslegitimaria todo o movimento social envolvido e não apenas péssimos hábitos alimentares.

(breve pausa para exercícios de respiração e relaxamento, aliados a uma oração a Tutatis, o Benevolente, clamando por mais algumas toneladas de paciência didática para reposição de estoque)

Refeito, prossigo: de forma a não bater em cachorro morto, ou melhor, não mastigar coxinhas cruas, vale ressaltar que não traçarei aqui críticas aos memes em si, que representam primordial fonte de informação das gentes “de bem”, alérgicos que são a textos com mais de 4 linhas e de densidade intelectual maior que a história dos Três Porquinhos.

Vou portanto direto ao que interessa: amplificando um pouco a questão, refleti sobre a idiotice que envolve classificar alguém como “esquerda-caviar”.

No inconsciente alienado-coletivo dos salgadinhos rebeldes, todo ativista de esquerda deveria viver numa espécie de retiro social, onde nenhum tipo de relação envolvendo capital poderia ser desenvolvida, ao preço de cometer “traição à causa socialista” ou “desconexão ideológica”.

Mesmo que se trate apenas de comer um hambúrguer de quinta categoria.

Parece efetivamente impossível penetrar nos recônditos recheios dessa gente empanada que TODOS NÓS estamos inseridos – com quase nenhuma alternativa imediata – na lógica e nos mecanismos da sociedade de consumo sendo assim obrigados a viver de acordo com suas regras, independente de posicionamento crítico ou favorável ao capitalismo.

Em uma simples analogia, para a Coxinholândia quem critica a poluição do ar não tem mais o direito de respirar.

Além disso parece que para toda a fornada “de bem” só pode ser ativista de esquerda quem for pobre ou mal ajambrado, sob o risco de – caso não se encaixe nesse estereótipo – ser classificado de “esquerda caviar”.

Tampouco entendem os revoltados petiscos que muitos críticos do capitalismo por estarem inexoravelmente imersos em sua lógica podem vir a acumular bens sem que isso seja uma contradição “per se”.

Contradição haveria, ò massa de salgadinhos, se tais pessoas fugissem de uma conduta orientada pela preocupação com os desvalidos e descamisados – e particularmente conheço muita gente de posses preocupada com tais questões, pautando seu comportamento no combate às desigualdades ao usar o capital contra o próprio capital, numa estratégia inteligente de combate ao capitalismo transformando suas armas em fraquezas.

Mas alardear isso tudo pelas bandejas de naziquitutes que assolam o país é quixotesco, visto que óleo de fritura carboniza neurônios de forma irreversível.

Assim, deixo uma sugestão de caráter humanitário: se você postou esse meme em sua timeline, ainda dá tempo de apagá-lo, fingir para os amigos que “foi só um vírus” e assim não passar por um analfabeto social viciado em “Revoltados On Line” e drogas correlatas como Rodrigo Constantino, por exemplo.