Há quem diga que estamos em mais um momento de transição da nossa história, o do fim do capitalismo a outras formas de economia: criativa, compartilhada, solidária, circular, entre outras.

O que está por vir não podemos ter certeza do que será, mas é preciso que seja uma mudança estrutural, muito mais do que qualquer outra foi. Aliás, será que tivemos, de fato, estrutura significativa até os dias atuais?

Da pré-história ao Renascimento, os humanos eram divididos por classes com poucos privilegiados. Os tecidos eram itens de alto valor e de uma forma clara e rápida serviam (também) para identificar e distinguir as classes.

A partir do século 14-15, o capitalismo já começara, e um processo de “urbanização” também. Com isso, houve uma aproximação de ambiente de pessoas de classes mais baixas com as mais altas. Tanto é que, nessa época, a burguesia começa a imitar as roupas da nobreza porque passam a saber como ela é.

E foi a partir dessa imitação que surgiu a moda (a nobreza queria se manter a diferença e “em um patamar” acima da burguesia e mudava o que vestia). Além disso, os papéis femininos e masculinos se tornam mais claros, até porque antes a mulher era vista como uma pessoa a ser tutelada e por isso seu lugar não era circulando nas ruas.

A partir de então e com a Revolução Industrial, estrutura-se a sociedade em que vivemos atualmente. Na moda, podemos destacar alguns pontos importantes: o nascimento da Alta Costura (que de certa forma mantém essa mesma diferenciação da estrutura social) e, com o Fast Fashion, possibilita-se uma aproximação “aceitável” da população de classe mais baixas a moda que antigamente apenas elites possuíam.

Recentemente, numa pesquisa para um texto, me deparei com diversos autores falando sobre contracultura e moda, e como essa esvaziou movimentos através da cópia do estilo daquela.

Porém, será que a responsabilidade é da moda ou isso faz parte do sistema em que vivemos de tornar tudo mercadoria e esvaziar o propósito das coisas? Até porque tais movimentos questionavam a vida dentro do modelo capitalista e cresciam.

Assim, os jovens, de algum modo, estavam ganhando “poder”. Será que alguém acreditou que os burgueses e donos de empresas iriam aceitar tais questionamentos sem fazer nada? E, talvez, este seja o maior trunfo do capitalismo, esvaziar em significado movimentos contrários a ele através do uso da imagem.

Afinal, a moda representa os valores de uma sociedade e, isso não é diferente no capitalismo com o qual a moda nasceu. Mas, indo além, em uma análise das principais sociedades que já tivemos, em todas elas vimos o costume em distinguir as classes das pessoas, principalmente através das roupas.

Portanto, embora eu mesma já tenha mencionado sobre esse momento de transição, também só acredito que poderemos falar de uma mudança de fato se proporcionar alteração entre as classes. Senão, embora de novas formas de vivências, apenas vamos mantendo a estrutura social e a busca por status das classes mais baixas frente às mais altas.