Gotas de chuva escorrendo

Sobre vidraças de quinhentas

Particularidades .

 

Cada mundo em cubículo

E o vento lá fora

o concreto molhado

Ar  frio

Cortando a face já desidratada.

 

As mãos racham e o coração também.

Cheio de nostalgia

E água de coco de outrora.

 

Alma quente

Se ajustando à temperatura de iceberg

De palavra fria,

Sorriso de umidade

Humor de cerveja preta.

 

Falta pão de queijo .

 

Falta tempo. Sobra saudade.

 

E  a chuva lá escorre.

O retângulo se torna cada vez menor.

Faltam horizontes, faltam mudanças.

O pão de queijo não vem.

Tatuagem I’m fine nos lábios

Impregnada no corpo e alma

De óleo de dendê.

 

Escuridão que assola

Casaco não consola

Luvas perfuram

Porque o calor é maior.

 

A insolação destrói

O inverno.

Porque meu corpo é calor

Deserto do Saara

Lençóis maranhenses.

 

O frio não atinge a alma

De quem nasceu pra ser

Sertão.