me cadastrei na über usando um email cujo login contém a palavra “zine”, e o sistema entendeu que este era meu prenome, modos que, quando peço um carro, o chofer de praça [num vô ca cara da palavra “motorista”] vai atender o cliente “Zine”.

pois.
pedi um carro hoje, fui esperar à porta do edifício.
distraído ao celular, carro chegou, não lhe vi a placa, conferindo se era o meu, apenas percebi, pela visão periférica, o movimento do mesmo.
momento lá, sou chamado pelo chofer de praça:

– senhor?
– opa.
– tudo bem?
– tudo sólido, e consigo?
– bem também. o senhor mora aqui?
– sim.
– sabe me dizer se é nesse bloco que mora a Dona Zine?

fiz minha melhor cara de meu avô libanês quando, se abusando muito, alguém lhe pedia o segredo para o ponto exatinho de sua coalhada seca, e respondi.

– eu sô ela.
– hehe. boa. mas, sério, sabe dizer, senhor?
– caboco, a Zine sô eu.
– opa, desculpe, então.
– desculpo.
– vamos lá?
– é o combinado.

e fomos.
mei do caminho, ê vem ele de novo:

– esse negócio de nome é complicado, não é?
– num sei, é?
– ah, é. desde quando recebi o chamado, achei que Zine só podia ser dona, porque parece nome de mulher, não parece?
– relativo. conheço Darcys que fazem a barba todos os dias.
– hehe [é do treinamento da über, presumo, rir “hehe”]. mas é diferente, porque Darcy é nome brasileiro, o seu, não – aliás, é de onde?

sem saco pra explicar que Zine não é prenome, pra explicar o que é zine, então fui na onda, simplificando:

– árabe.
– ah, sabia! esse povo lá é tudo doido, né?
– depende. eu não tô pensando em explodir teu carro. ainda…
– hehe. desculpe, não quis dizer isso, é que…
– tranquilo – interrompi. segui: – a globo também faz isso. aliás, cê ouve cbn?
– sim, direto. quer que eu sintonize nela?
– olha, aí, talvez, eu exploda teu carro. ocê decide.
– hehe
– hehe – devolvi, simulando alguma empatia.

a mesma, aliás, que esperava dum caboco chamado Elvison.