Eduardo não era um menino como os outros. Franzino e baixinho, o estudante do ensino fundamental tinha medo de falar. Por não ser igual, sempre foi tratado diferente. Os colegas da escola estadual onde ele estava matriculado, no Pará, jamais conseguiram enxergá-lo como parte do grupo. Eram rudes com ele. Vítima de bullying, o menino foi perseguido diversas vezes, apesar das reclamações de sua família na instituição de ensino. Eduardo faleceu há poucas semanas, aos 12 anos de idade, após sofrer ferimentos no intervalo de uma aula. A instituição de ensino afirma que ele caiu sozinho durante uma brincadeira. No hospital, no entanto, ficou constatado que o pulmão dele foi perfurado.

Não há explicações suficientes para os hematomas no corpo do garoto que, após o episódio, sofreu cinco paradas cardíacas. O caso e as versões contraditórias estão sendo investigados.

O tratamento dado a Eduardo em vida fala muito sobre a morte da tolerância. Em uma sociedade de aparências, ser tornou-se insuficiente. É necessário ter alguma coisa, vender uma imagem que, apesar de falsa, é carregada de simbolismo. Nesta realidade invertida, ninguém é valorizado pelo que é, mas pelo tamanho da sua mentira. Reflexo do mundo adulto, esses meninos e meninas receberam quase tudo, menos o essencial. Não aprenderam a flexionar verbos necessários: “eu respeito”, “tu respeitas”.

Quando um pai ou uma mãe xinga no trânsito, ensina o filho a ser agressivo. Quando engana alguém, mostra o caminho da desonestidade. Quando faz pouco do outro, dá aula prática de indiferença. Quando estabelece o silêncio no lugar do diálogo, alimenta dúvidas e medo.

Filósofo e escritor, Mário Sérgio Cortella observa que escolarização não é sinônimo de educação. Para ele, a juventude tecnológica está bem formada, porém mal educada. Para alguns, há tantas opções que não se consegue encontrar nenhuma. A ideia do esforço é cotidianamente confrontada com a imediatização das necessidades.

Em tempos de equívocos, assassinato pode ser tratado como acidente, bullying torna-se brincadeira e desrespeito é confundido com personalidade. Se queremos um mundo melhor para a infância e a juventude, precisamos começar a nos perguntar qual é a nossa parte nisso tudo.