A noite foi longa. Consultamos várias fontes e especialistas para analisar os próximos acontecimentos e decisões de bastidor. Vou sintetizar as possibilidades reais e sua consistência para os próximos dias.

PRISÃO DE LULA

Foram muitas informações nesta direção, principalmente após a decisão do ministro Gilmar Mendes. Ocorre que a única possibilidade de momento para fundamentar a prisão de Lula é obstrução à justiça em virtude das suas falas grampeadas e vazadas pela Rede Globo. O consenso é que seria facilmente derrubada por habeas corpus, dada a fragilidade do conteúdo e da própria legalidade dos grampos. O risco é muito alto de Lula ser liberado justamente no auge da Semana Santa. Lula, neste momento, não precisaria ser preso para não tomar posse. Contudo, a sua fala na manifestação de ontem deixou claro seu poder de comunicação, muito superior à de qualquer outra liderança política do país. Com o STF em recesso na Semana Santa, qualquer recurso demoraria algum tempo para ser julgado.

 

IMPEACHMENT DA PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF

Esta é a informação mais convergente e sólida nas nossas consultas às fontes. O que apuramos é que já teria sido formado o gabinete montado por Temer e Serra. A revista Piauí chegou a divulgar um artigo a respeito. Paulinho da Força teria dito que em 45 dias a presidente Dilma Rousseff cai. Serão necessários 14 dias para a presidente apresentar sua defesa; depois, o relator apresenta sua apreciação, que será votada pela Comissão Especial da Câmara. Finalmente, voto em plenário da Câmara dos Deputados, que, autorizando a abertura do processo, remete ao Senado para julgamento. Assim, às vésperas das Olimpíadas, Temer poderia tomar posse com o afastamento da presidente por até 180 dias antes do veredicto final do Senado. Neste caso, o julgamento do TSE teria que ser abortado para não envolver o vice-presidente no impedimento.

GILMAR MENDES COMO MINISTRO E MORO NO STF

Esta sugestão partiu de alguns dirigentes do PT em reuniões ocorridas neste final de semana. Seria uma das nomeações de um possível governo Temer, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Risco ainda maior que o da prisão de Lula. Gilmar Mendes não pode se licenciar do STF e se aposenta em 15 anos. Há poucos casos de um ministro do STF abandonar o cargo em virtude da posse no Executivo – o que a literatura especializada chama de anormalidade. Como exemplo, citaria o que ocorreu em 1990, envolvendo Francisco Rezek, que deixou o STF para assumir o Ministério das Relações Exteriores, posteriormente desligou-se do cargo político e, em 1992, foi nomeado novamente para a Corte. Finalmente, a nomeação de Moro poderia gerar uma comoção muito forte no judiciário (trata-se de um juiz de primeira instância) e incentivar a espetacularização da ascensão política na carreira.

 REAÇÃO POPULAR OU LULISTA

Para Lula tomar posse, há duas hipóteses. Ao ser questionado pelo ato da presidente Dilma Rousseff, o ex-ministro Cardozo, agora na AGU, entra com mandado de segurança para sustar esta decisão, que será avaliado pelo ministro de plantão no Supremo. O ministro Teori também poderá argumentar que esta decisão retirou de suas mãos a competência sobre o caso ao remeter o processo ao juiz Sérgio Moro. Outra possibilidade é acontecer um recurso simples, que seria apreciado pelo Pleno do STF. Permanece, ainda, uma dúvida para alguns, se a decisão do ministro Gilmar Mendes sobre o mandado de segurança – impetrado pelo PPS e PSDB – vai ser apreciada pela 2ª turma do STF, antes de ser encaminhado para o Pleno do Supremo. Se assim for e a 2ª turma votar com o ministro, Gilmar Mendes poderá sentar no processo, mesmo havendo contestação de alguma parte. Já as liminares continuarão se sucedendo, a despeito de serem todas derrubadas. Se Lula tomar posse, a hipótese mais plausível é que fará política de massas 24 horas por dia para assustar as lideranças do baixo clero, em especial do Nordeste, temerosas de perder suas bases eleitorais. Este seria o cenário mais positivo para o lulismo. Outra possibilidade seria uma reação em cadeia, a começar com a manifestação do próximo dia 31 de março. A dúvida é justamente sobre o ânimo e capacidade política da atual direção petista. A não ser que as manifestações ganhem um caráter mais espontâneo ou sejam dirigidas por múltiplas organizações e lideranças, a estratégia traçada a partir desta pressão não parece bem conduzida ou clara para a cúpula petista.

 AÉCIO CONDENADO

Esta informação foi confirmada por fontes muito qualificadas. Seria o álibi para legitimar ações contra Lula e a própria presidência e procurar aliviar a situação de aliados de Temer e Serra, que procuram formar o novo governo do país. Em outras palavras, seria a moeda de troca já acordada entre os que se pretendem novos donos do poder. Alguns afirmam que teria sido avalizado por José Serra, desafeto de Aécio Neves e que enfrenta avanço do senador mineiro em suas hostes. Uma fonte sugere que a carreira política do senador estaria no fim. Evidentemente, não há como checar esta possibilidade e somente os próximos dias poderão confirmá-la. Como sabemos, política é feita de balões de ensaio.