são paulo, higienópolis, apartamento do fhc, cozinha

 – serviçal? – chama fhc

– ♪♫ não fala com pobre / não dá a mão a preto / não carrega embrulho / praque tanta pose, doutor / pra que esse orgulho? ♫♪ – provoca a cozinheira.

– serviçal? estou falando com você! – exalta-se fhc.

– ♫♪ a vaidade é assim / põe o bobo no alto / e retira a escada / mas fica por perto esperando sentada / mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão ♪♫ – continua a cozinheira.

– entendi, entendi… é que esqueço o seu nome. como é mesmo?

– ah, trem trapaiado, é aquilo que o povo diz quando vê ocê.

– Esperança!

– não, inconha, Socorro.

– é pra rir? pois bem, Socorro, o que vai fazer pro almoço?

– galinhada.

– adoro!

– possacê que não. quem sabe picadinho com quiabo?

– gosto muito também.

– pensando mió, acho que vô fazê franguim caipira mais angu.

– mas o que é isso, afinal?

– o quê, coiso?

– essas mudanças de opinião, oras.

– e daí?

– como, e daí?

– uai, muito me admira ocê, bem ocê, garrá abuso disso. uma hora ocê pede renúncia da presidenta, outra hora, impíti, dali um cadinho, novas eleição.

– completamente diferente!

– nada, sô, fica ativo. no fundo, tudo é golpe. igual aqui: porta-me lá o que vô fazê, é tudo almoço mêmo.

– nhé…

– ó sa boca, bicho vacaiado. me azeda os nervo, que faço o contrário do que ocê qué fazê ca Dilma.

– oi?

– ocê qué tirá a muié do trono, eu, só nas temperança, ponho ocê no troninho por um mandato de uma semana.