frustração e zanga

ficou parecendo título de romance da Jane Austen, eu sei, mas a trama que gerou a foto – e o título pra crônica – é digna de um daqueles momentos “emoção” da formidavelmente vagabunda série “Julia” [é, “Julia”, dá licença? eu li aquilo à beça, chorando lágrimas de esguicho e suspirando com os finais felizes, especialmente numa rocambolesca aventura em que o Malcolm reaparece depois de dado como morto e desaparecido numa queda do penhasco, e nossa heroína chuta o fulano que provocara o acidente, com o qual, sem saber de suas tremendíssimas vilanias, se envolvera, reatando com Malcolm e indo recomeçar a vida com ele no inóspito, mas promissor, Wyoming 😢💖].

mas divaguei, e perdão.

fato é que tava eu aqui editando meu livro, tudo calmo, quando um fiotinho de colibri, por descuido, entrou em minha varanda.

desesperado ele, desesperada a mãe, do lado de fora da janela, tentando orientá-lo à saída.

emitindo um miado baixinho, de primitiva satisfação, na prateleira mais alta da estante, em posição preparatória ao bote já calculado, Ziggy.

acudi na hora, abrindo todas as janelas, para que o jovem zabelê saísse.
ele voou para a janela próxima à estante, para alegria de Ziggy, que saltou para a rede em que ele se debatia tentando sair.

de fora, transtornada, percebendo que a cria, apesar de na parte mais alta da rede, acabaria virando almoço, mamãe beija-flor não hesitou: distraiu Ziggy parando no ar bem à sua frente, quase ao alcance dos golpes que ele desferia com a pata atravessando a rede.

nisso, o fiotinho, enfim, conseguiu atravessar a redinha, indo em direção a mãe, e ambos zuniram do alcance do predador.

na foto, o momento em que, frustrado, Ziggy vê seu almoço indo embora.

tentei fazer foto da cara dele pra mim, de “ocê acha isso bonito?”, em severíssima reprovação ao fato de eu ter estragado seus planos gastronômicos, mas não deu tempo: fez a carranca, virou-se rumo à saída da varanda, me mostrou seu asterisco e foi se amuar sei lá eu onde.

tudo bem.

educar é, mais que tudo, colocar limites, sem os quais cria-se monstros – vide os fascistas rosnando e babando país afora, nascidos de paus e úteros da elite dinástica, do “milagre econômico” dos 70 e dos yuppies dos 80, todos sempre ocupados em colecionar dinheiro, daí comprando, literalmente, a “educação” de seus filhos, acostumando-os a obter tudo o que quisessem a poder de urros e agressivos faniquitos e chiliques.

não sei onde Ziggy se meteu, mas sei que não está morto e ou desaparecerá.
só questão de tempo pra voltar e a gente ser feliz em nosso inóspito, porém acolhedor, Wyoming particular.