O presidente argentino Nilson Kitchen sancionou ontem a lei que disciplina a comercialização de heroína para menores de catorze anos. Agora, para comprar a droga, o usuário terá que apresentar carteira de identidade, CPF, certificado de conclusão do ensino médio e laudo médico com diagnóstico de câncer terminal. Representantes de entidades de defesa dos adolescentes protestaram contra a nova lei, por entenderem que ela fere a isonomia garantida pela constituição argentina, uma vez que os adultos podem comprar heroína sem apresentar qualquer tipo de documento. “Adolescentes e adultos devem ter direitos iguais”, lembrou Diego Ibarra, líder da Associação para a Proteção da Igualdade entre os Homens.

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O Le Mond, o principal jornal da França, publicou na última sexta-feira uma matéria que vem causando polêmica em todo o país. Segundo os jornalistas Mathieu Bondage e Thierry Vermauld, o presidente francês teria o hábito de dormir com um prendedor no nariz para se proteger dos flatos noturnos da primeira-dama, cujo fedor, ao que tudo indica, seria capaz de despovoar a Amazônia. A indiscrição, que fez a alegria de toda a França, em especial a dos detratores do governo, foi confirmada pela sogra do presidente, a senhora Gleva Ferracine, hoje internada no asilo Saint-Ferol com suspeita de ter conservado a sanidade num mundo de loucos. Durante conversa informal com uma jornalista disfarçada de enfermeira, ela contou que, desde a infância, Gora Ferracine tinha o costume de dissipar as multidões com seus mísseis fétidos e que, por causa deles, um vizinho muito chegado à família a havia apelidado de Torpedeiro Assassino. Consta que certa vez, depois de uma saraivada de flatos sussurrantes, a cabeça da primeira-dama teria murchado. Na ocasião, o marido de Gleva Ferracine chegou a suspeitar que a filha tivesse engolido um gambá.

O presidente francês Sebastien Teilarand preferiu não comentar a reportagem, mas fontes ligadas ao governo confidenciaram que ele está bastante abalado. Indagada sobre o assunto, Gleva Ferracine relatou que, nos primeiros dias de namoro, para proteger a primeira-dama da verdade, Teilarand disse à cara-metade que o prendedor do nariz era um hábito que cultivava desde a mais tenra infância. Assim, mesmo acordando todas as manhãs meio zonza, Gora Ferracine nunca desconfiou de nada. Agora, com a revelação de Bondage e Vermauld, ela vem cobrando diariamente uma explicação do marido.

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Finalmente aterrissou em solo marciano a mais recente maravilha do engenho humano: o robô Destroyer. Ninguém sabe exatamente para que ele serve, nem a natureza da missão que foi realizar, mas a Bolsa de Apostas de Londres está pagando 1 por 39 para quem apostar que a vencedora do próximo Miss Universo será a representante da Venezuela.

Desenvolvido pela equipe de engenheiros da Nasa, entre os quais havia uma cartomante, o Destroyer custou aproximadamente dois bilhões de dólares, os quais foram pagos com os rublos extorquidos da máfia russa e com as taxas cobradas da renda bruta dos mendigos profissionais. É até agora o maior investimento involuntário já feito no mundo para a construção de um robô cuja finalidade permanece desconhecida de todos, incluindo os seus criadores.

Apesar do mistério que cerca o Destroyer, os engenheiros da Nasa estão confiantes no sucesso da missão, seja ela qual for. Bill Yellow, assessor do assessor do assessor do engenheiro-chefe Cosby Tillman, deixou escapar, durante uma coletiva de imprensa, que o objetivo de todos os envolvidos no projeto é saborear, tão logo o Destroyer regresse a Terra, se é que vai regressar, uma lagosta num restaurante chinês.

Assim como ninguém conhecia a data do lançamento e da aterrissagem, ninguém conhece a data do retorno. Sabe-se apenas que será entre o dia primeiro de janeiro e o dia 31 de dezembro de um ano qualquer. Afora isso, tudo é mistério.

Obs: este folguedo é parte do texto homônimo publicado no livro O vampiro de Quixadá, de minha autoria.