Há uma semana, Ingrid Benevuto, uma das mais conhecidas atrizes americanas, estrela de filmes como A mão leprosa e Os gatos lúbricos, foi flagrada no Central Park alimentando o filho com as melecas que tirava do próprio nariz. Desde então a cena repugnante, captada por um paparazzi que passava pelo local no instante da refeição, tem sido exibida incessantemente na TV americana, e motivado duras críticas de integrantes do alto escalão do governo, que consideraram a imagem inapropriada para ser reproduzida em horário nobre. Até o presidente americano, cujo único interesse visível é o comprimento da saia da primeira dama, condenou a iniciativa dos órgãos de imprensa do país. Segundo ele, a atitude de Benevuto é não só um péssimo exemplo para todas as mães do mundo, como um eficiente inibidor de apetite. Como alguém pode comer uma almôndega depois de ver algo tão repelente?, perguntou. Teria sido melhor escamotear a cena do público, e exibir no lugar dela os índices de aprovação do governo, colhidos entre seus familiares.

Não está excluída também a possibilidade de um processo judicial. Várias associações de defesa das crianças planejam uma ação conjunta para indiciar a protagonista de Brisa no Sovaco. Martine Adams, presidente da Save our Children, sediada em Boston, declarou que a meleca de Benevuto não continha os nutrientes necessários para o desenvolvimento pleno de um bebê de seis meses e que por isso ela deve responder na justiça pela escolha do alimento. Numa tentativa de suavizar as críticas, Benevuto assegurou ter tomado o cuidado de fazer da plaqueta disforme que tirara do nariz uma bolinha perfeita, a fim de evitar que ela obstruísse o esôfago do menino. A desculpa, entretanto, não colou. Para 80% dos americanos, incluindo os 20% restantes, a atriz não tinha o direito de fazer aquilo com o próprio filho. O ideal era alimentar o pequerrucho com aveia.

 A única pessoa que se levantou em favor de Benevuto foi o filósofo catarinense Antônio de Souza, que, em um gracioso artigo publicado no jornal Os antípodas, sem citar a atriz americana, questionou a nossa repulsa pela prática de “limpar o salão”. Infelizmente para Benevuto, os filósofos brasileiros não são levados a sério nem mesmo no Brasil, de tal modo que pouca gente sabe o que eles dizem ou fazem. Assim, a brilhante apologia do nosso patrício, que poderia ter contribuído para amenizar as críticas e os prejuízos sofridos por ela, nem sequer chegou ao conhecimento dos americanos, que continuam malhando Benevuto como se não houvesse amanhã.

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